A Cultura


_________INTRODUÇÃO_________________________________________________________

       O cajueiro ocupa lugar de destaque dentre as plantas frutíferas tropicais, em face da crescente comercialização de seus produtos principais: a amêndoa e o líquido contido no mesocarpo da castanha indiscutível a importância que o caju representa para o Nordeste, como uma atividade econômica e social de grande expressão, garantindo renda para mais de 300 mil pessoas e gerando divisas superiores a 100 milhões de dólares anuais. A importância do setor‚ ressaltada, também pela ocupação de mais 300 mil hectares com a cultura na região e pela existência de um parque industrial composto por um número expressivo de Empresas.
        O cajueiro é nativo do nordeste brasileiro. Os colonizadores portugueses foram os responsáveis pela introdução do cajueiro em países da África Centro-Oriental e posteriormente na Índia.
        O cajueiro é encontrado em quase todos os Estados da Federação, sendo que a Região Nordeste é responsável por 99,7% da produção nacional, no ano de 1984. Assim, a expressão econômica da cultura restringe-se somente ao Nordeste e, nesta Região, em termos de exploração agrícola, destacam-se os seguintes estados:
        Existem, no entanto, muitos problemas na cajucultura, como sejam a baixa produtividade, pragas, e doenças, irregularidade nas precipitações pluviometricas, além da falta de uniformidade de plantio, com reflexos negativos sobre na qualidade da matéria-prima.

___________________________________________________PRODUÇÃO MUNDIAL_______

Os principais produtores mundiais da castanha, no ano de 1986, foram:
 



PAISES 



PRODUÇÃO EM TONELADAS

ÍNDIA
140.000
BRASIL
96.700
MOÇAMBIQUE
40.000
TANZÁNIA
30.000
QUÊNIA
10.000
OUTROS 
12.000


FONTE: EDIBLE NUT MARKET REPORT(122),  IBGE, 1986

___________________________________________________PRODUÇÃO NACIONAL__________

Principais produtores nacionais :
 



ESTADO




ÁREA COLHIDA 
CASTANHA*            FRUTO**

MARANHÃO
5.111                25.711
PIAUÍ
24.259                115.401
CEARÁ
80.433                835.398
RIO GRANDE DO NORTE
26.730                316.341
PARAÍBA
5.552                140.104
 PERNAMBUCO
6.189                58.604
ALAGOAS
 306                 11.624
SERGIPE
 158                 20.037
BAHIA
6.582                58.849
TOTAL
155.320           1.582.069

*       - Em toneladas  **     - x 1000 frutos
FONTE: IBGE, 1995-96

__________BOTÂNICA____________________________________________________________

        O cajueiro pertence a família Anacardeaceae, constituído por árvores e arbustos tropicais e subtropicais que apresentam ramos sempre providos de canais resiníferos e folhas alternadas, coriáceas, sem estipulas sendo composta por mais de 60 gêneros e 400 espécies.
        O gênero Anacardium apresenta um pequeno número de espécies, todas elas originárias da América Central e do Sul à exceção de Anacardiumencardium provavelmente procedente da Malásia. A espécie mais importante é a Anarcadium occidentale L, o cajueiro comum, devido ser a única cultivada em escala comercial e que apresenta o maior grau de dispersão em todo o mundo.

__________________________VARIEDADES_________________________________________

      Ainda está para ser feito uma pesquisa sistemática sobre variedades botânicas do cajueiro, verdade esta que persiste até o momento. Alguns autores, no entanto, portam-se a variedade de cajueiro:

  • Há duas variedades para A. Occidentale: Americanum e Indicum. Na primeira, o pedúnculo seria cerca de dez vezes maior que a castanha, enquanto que, na segunda, a relação ficaria somente três para um, a outra seria;
  •  O cajueiro de seis meses (Cajueiro precoce) apresentou-o como sendo A. occidentale V. Nanun. Tais denominações, no entanto, não prevaleceram para muitos autores.
        O que ocorre na realidade, na realidade é que a propagação do cajueiro feita essencialmente por via seminípara e associada a um elevado percentual de polinização cruzada, conduz a geração de indivíduos com alto grau de heterozigose, portanto com grandes variações em suas características morfológicas, tornando muito difícil a fixação de uma variedade botânica, caso ela exista. Do ponto de vista econômico, no entanto, a busca de variedades botânicas de cajueiro não apresenta muita relevância. Isso porque os tipos superiores obtidos através dos métodos de melhoramento de plantas podem ser multiplicados indefinidamente por meio de técnicas de propagação vegetativas, constituindo, assim clones que poderão dar origens as variedades cultivadas ou “cultivares”. Já existem, no Brasil e em outros países clones de cajueiro de grande potencial produtivos.

__________________________________________________CLIMA E SOLO_______________

        O cajueiro, tendo em vista a sua origem, apresenta hábitos vegetativos característicos de clima tropical. Embora seja encontrada medrando em regiões subtropicais, a cultura excede onde há condições climáticas que possibilitem um bom desenvolvimento, associado a condições específicas desejáveis, e quando as plantas têm os caracteres genotípicos de boa produtividade e recebem os tratos culturais adequados.
        Embora esteja disseminado por quase todo o País, o cajueiro tem sua área de exploração fortemente concentrada no Nordeste do Brasil, tanto no que se refere ás formações espontâneas como no que tange aos plantios organizados. E, nessa região, os Estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí detém 95,7% do total da área colhida no ano de l984.
Em que pese à natural vocação litorânea do cajueiro, ele vegeta muito bem em outras regiões, como o Centro-Leste do Piauí, Cariri, no Ceará e Sudeste do Rio Grande do Norte. No entanto, as zonas de expansão mais recentes da cultura localizam-se em áreas de Cerrado do Sul-Sudeste do Piauí e Oeste baiano.

__________________PROPAGAÇÃO_______________________________________________

       A maioria das plantações organizadas de cajueiro existentes no Nordeste, tanto na pequena como na grande propriedade, são provenientes de sementes de grande variabilidade genética, não selecionadas, geralmente obtidas na própria região ou introduzidas de outras.
Para garantir a identidade da planta-mãe e uniformidade a plantação, há necessidade de adotar a multiplicação vegetativa e superar os problemas com ele relacionados.
 

  • REPRODUÇÃO POR SEMENTE- Nos locais onde é possível utilizar sementes de matrizes cuja produção e qualidade da castanha tenham sido testada por vários anos, é conveniente utilizar sementes retiradas de plantas sadias, vigorosas altamente produtivas e com pseudofrutos grandes. As castanhas provenientes de uma só planta, selecionada, originam pés-francos que apresentam variações tanto na produção como no tamanho da castanha. Essas variações, entretanto, são menores do que as observadas em sementes retiradas de agrupamentos naturais. O cajueiro originado de semente dificilmente reproduz as características da árvore que produziu essa semente. É grande a heterogeneidade em populações de cajueiros propagados por vias seminípara. Quando da propagação de cajueiros por semente, é boa norma fazer o teste da densidade. Este teste consiste em colocar as castanhas em um depósito com água e eliminar aquelas que flutuarem. Selecionadas as castanhas em função da densidade, ou então do tamanho, as escolhidas serão expostas ao sol, ficando a secar durante dois dias, sendo depois armazenadas, aguardando oportunidade de ir para ao campo no início da próxima estação chuvosa ou, então, utilizá-las de imediato. No entanto, a maioria dos grandes plantios de cajueiro que foram e estão sendo implantados no Nordeste, usaram e ainda usam semeadura direta no campo, fazendo paralelamente um viveiro , com mudas semeadas em sacos plástico, para suprir 10-20% de falhas estimadas. Esta prática permite o replantio, evitando a defasagem entre o porte das plantas germinadas em campo e o porte das provenientes de uma segunda semeadura. É conveniente, neste caso, evitar replantio com mudas de mais de um mês de idade. As mudas destinadas ao reflorestamento deverão ser multiplicadas a pleno sol, mesmo que isso venha a constituir para seu desenvolvimento mais lento. É preferível que seja assim, pois desde cedo ficarão adaptadas às condições ambientais, sobrevivendo melhor quando forem transplantadas para o local definitivo. Os sacos plásticos utilizados para a propagação de pés-francos, deverão ter 19 cm de largura por 25 cm de comprimento, e os usados na multiplicação vegetativa, 25 cm de largura por 39 cm de altura, sendo ambos de polietileno preto e furados na parte inferior média e inferior a fim de permitir uma boa drenagem da água de irrigação. A germinação da castanha, depende da temperatura, da umidade e principalmente, do estado da castanha. Sementes novas, do tipo média, gastam ente 12  15 dias para germinarem, dando índices de 98 a 100% de germinação.
  • MULTIPLICAÇÃO VEGETATIVA- A propagação de planta por via assexuada é uma técnica altamente empregada em fruticultura pelo grande número de vantagens que oferece àqueles que utilizam. No caso específico da cultura do cajueiro, entre outras destaca-se as seguintes

  • a) Permitir a multiplicação de plantas de patrimônio genético superior, notadamente aquelas de maior produção individual, resistentes a pragas e moléstias e de menor exigência nutricional;
    b) Introdução de precocidade, permitindo um retorno mais rápido do capital investido;
    c) Diminuição no porte da planta, facilitando os tratos fitossanitários, ensejando também a redução do espaçamento adotado, redundando em povoamento mais adensado e, logicamente maior produtividade;
    d) Evitar o aparecimento de plantas improdutivas ou com elevada incidência de alternância de produção, fato muito comum nos plantios de pés-francos onde, via de regra, cerca de 20% das plantas respondem, a cada ano, por 80% da produção.
  • ESTAQUIA - A estaquia é um método de propagação agâmica que se baseia na regeneração das partes vegetativas destacadas da planta-mãe (as estacas) que, sob determinada condição, emitem raízes e brotações. No cajueiro, a estaquia seria o processo de propagação vegetativo mais econômico, se fossem encontrados condições que tornassem possível a utilização dessa prática. Este processo de multiplicação tem sido pouco estudado coma cultura do cajueiro e os resultados experimentais obtidos são por demais contraditórios. Todos os ensaios feitos para o enraizamento de estacas de cajueiro, deram resultados negativos. Por esta razão, este processo de propagação  vegetativa não é‚ ainda, adotado para o cajueiro

  •  
  • MERGULHIA - A mergulhia é um processo de multiplicação vegetativa que consiste em enterrar um ramo ou parte de um ramo da planta com a finalidade de provocar a formação de raízes. Quando estiver suficientemente enraizada, o ramo é destacado, passando a constituir uma nova muda. É um método simples, mas pelas suas características, de aplicação restrita na multiplicação do cajueiro, em grande escala. Existem dois tipos principais de mergulhia: A subterrânea ou a mergulhia propriamente dita e a aérea. A mergulhia subterrânea não é comumente usada na multiplicação do cajueiro, pois requer ramos rastejantes ou bastantes flexíveis, para serem levados até o solo e enterrados. Sendo o cajueiro uma planta de grande porte, dificilmente se encontram ramos maleáveis, de consistência herbácea ou semi-lenhosa, de fácil manejo junto ao solo. A mergulhia aérea ou alporquia é do tipo de propagação vegetativa em que o substrato usado para o enraizamento é levado a parte aérea da planta que se quer enraizar. A técnica utilizada consiste no seguinte procedimento: Quatro meses antes da alporquia, faz-se uma poda parcial na planta onde se pretende efetuar os alporques. Antes estes cortes tem por finalidade provocar a emissão de novas brotações. Os lançamentos do ano, provenientes dessas brotações, que apresentam crescimento vigorosos e diâmetros compreendidos de 0,8 a 1,30 cm são escolhidos para alporquia, sendo desfolhados na região a 50 cm abaixo do meristema terminal e anelados (retirada de um anel de casca de 1,50 cm de indolubutírico na proporção de 200 ppm e usa-se como substrato verniculita, sendo todo o conjunto envolvido com papel de alumínio que permitem a fixação rápida, dispensando o amarrio. A multiplicação do cajueiro por alporquia é um processo viável, mas muito prático no que se refere a sobrevivência das plantas no campo. Isto, provavelmente, devido ao tipo de sistema radicular desenvolvido e não adaptado às condições ambientais das regiões produtoras.

  •  
  • ENXERTIA -O maior esforço de pesquisa com o cajueiro no Brasil e nos demais países onde esta planta tem importância sido com a propagação vegetativa, em pesquisar a cultura especialmente através da enxertia. No Brasil, na região do Ceara, é adotado por facilidade de operação, a garfagem em bisel. Todos os porta enxertos utilizados na multiplicação do cajueiro, são proveniente de sementes, não existindo tipos específicos. Nenhum efeito adverso tem sido encontrado nas plantas enxertadas, que possa ser atribuídos ao cavalo, como variações de crescimento ou incompatibilidade entre porta-enxerto e copa. A utilização da espécie botânica A. Microcarpum Ducke, que vegeta espontaneamente no Nordeste Brasileiro, Planalto Central e Amazônia, como porta enxerto, permitiu a obtenção de índices elevados de pegamento (92%), na garfagem em bisel. Uma das caraterísticas importantes deste porta enxerto, que vegeta  no Nordeste Brasileiro é bastante precoce. Antes da enxertia, os porta enxerto são escolhidos e separados em grupos, em função do tamanho e do vigor vegetativo, sendo eliminadas todas as plantas débeis e cloróticas. A recuperação de plantas de cajueiro comum de baixa produção, por meio de substituição de copa via enxertia com genótipos superiores. É uma tecnologia em processo de adoção em escala comercial por apresentar inúmeras vantagens, entre as quais se destaca.
    • - Permite o rejuvenescimento de plantas com produção decadentes;
      -  Possibilita a otimização da área pelo adensamento com cajueiros de porte reduzido e/ou o consórcio  com culturas anuais;
      - Reduz o porte das plantas, facilitando os outros tratos culturais como fitossanidade e colheitas;
      - Elastece o período de safra pelo uso de copas precoces e tardias;
      - Eleva a atual produtividade de 240 Kg de castanha para 600 Kg, a partir do 3o ano, reduzindo cerca de 65% o custo unitário de produção de castanha;
      - Permite redução de 75% dos custos de implantação em relação à formação de pomares clonais em áreas novas.
    Dentre os processos de propagação por enxertia no cajueiro encontramos:

    - Borbulhia e,
    - Garfagem, abaixo discriminados,
     

        A borbulhia é o processo de propagação vegetativa que consiste na justaposição de uma única gema ou borbulha retirada da planta matriz que se pretende propagar e inserida sobre um porta-enxerto específico. De uma mesma planta poder-se-á retirar um número elevado de borbulhas, permitindo assim a obtenção de um grande número de enxertos de uma única providência. A borbulhia poderia ser considerada o processo mais eficiente e econômico da multiplicação vegetativa do cajueiro, se possibilitasse índice de pegamento elevado, pois ‚ uma técnica fácil de operar e permite a reenxertia do porta enxertos em caso denso pegamento da borbulha.
    O sucesso da borbulhia  depende bastante de quatro fatores a considerar:
    • a época em que ‚ feito o enxerto,
    • a idade do cavalo,
    • o estado de desenvolvimento do ramo de onde se tira a borbulha e
    • a habilidade do operador.
        A borbulha é preparada duas semanas antes da data da enxertia a fim de forçar o “inchamento” das gemas, desponta-se a parte verde terminal dos ramos, ficando a parte semilenhosa, de cor cinzenta-acastanhada, sem folhas. Neste segmento que poderá ter comprimento variável procede-se, na parte inferior, à anelagem, retirando um anel da casca com 0,5 cm de largura. Estes ramos tem geralmente mais de dez meses de idade.  Para a borbulha em escudo ou janela aberta, utilizamos ramos com diâmetro compreendido entre 0,7 a 1,30 cm de largura. Nos casos das borbulhas em “T invertidos” e borbulhas “chapa”, é aconselhável a escolha de ramos com menor diâmetro, entre 0,5 a 0,8 cm.  Diversos métodos de garfagem têm sido usados na multiplicação do cajueiro. Deu-se preferência a esta técnica por permitir maior facilidade de justaposição das áreas cambiais, possibilitando maior contato dessas superfícies e ter o garfo mais de uma gema para se desenvolver. Todos os m‚todos de garfagem são  realizados, no início e no decorrer da estação chuvosa, época em que o cajueiro apresenta o primeiro fluxo vegetativo.  De todos os modelos de garfagem, os mais usados, são a garfagem em bisel e a garfagem em fenda cheia, sendo por vezes usada a garfagem lateral em placas.  Os garfos utilizados para a propagação vegetativa são retirados da parte terminal dos crescimentos vegetativos. São ramos, provenientes de lançamentos com sete a oito meses de idade com 8 a 10 cm de comprimento de consistência semilenhosa, intumescidos e com gemas quase a brolhar.  Para favorecer um maior índice de pagamento, é conveniente preparar os garfos oito a dez dias antes da enxertia. A preparação consiste no anelamento do ramo a uns 10 a 15 cm do ápice e no corte das folhas em toda a extensão até o anelamento. A operação favorece o entumescimento das gemas e a abscisão natural dos colos dos pecíolos. Logo após a coleta, ainda no campo, os garfos devem ser condicionados em caixas de isopor, embrulhados em folhas de jornais umedecidos, a fim de evitar o ressecamento.

___________________________________________________________PLANTIO____________

        O plantio deve ser efetuado bno início da estaçào chuvosa ou qualquer época do ano caso seja irrigada, comprimindo-se cuidadosamente o solo em torno da muda, de modo que ela fique na posiçào vertical.
 

    Orçamento:    implantação de 01 (um) hectare de Cajueiro Anão Precoce
    Espaçamento:    8,0 (entre linhas x 6,0 (entre plantas) - Retangular  208 Plantas/Ha

1.0 - Operações
Unidade
Quantidade
Aração
Trator/dia.
2,0
Calagem
h/dia
2,0
Gradagem -Mecânica
Trator/dia
1,5
Preparo das covas
h/dia
2,0
Adubação de fundação
h/dia
4,0
Adubação de cobertura
h/dia
4,0
Preparo das covas
h/dia
10,0
Plantio e replantio
h/dia
6,0
Capinas manual
h/dia
10,0
Limpeza e podas
h/dia
1,0
Controle fitossanitário
h/dia
3,0
Irrigação
h/dia
2,0
Colheita
h/dia
8,0
2.0 - Material e Insumo
Unidade
Quantidade
Mudas + 10% P/replantio
Unidade
230
Esterco de Curral*
Tonelada
10,0
Adubos**
Kg
-
Inseticida
litro
2,0
Fungicida
litro
2,0
Formicida
Kg
2,0
*        20 kg de esterco  curtido/planta
* *    A adução e calagem devem seguir as recomendações da análise química do solo.


____________________________________TRATOS CULTURAIS_______________________
        O controle das plantas daninhas deve ser efetuado, de preferência, com roçadeira, completando-se com enxada "coroamento"  nas proximidades da planta.

_____________________ADUBAÇÕES______________________________________________

        Ao cajueiro tem sido destinados os piores solos onde, virtualmente, a maioria das culturas teriam poucas chances de sucesso. Tal procedimento deve-se a diversos fatores, entre os quais o custo da terra, as baixas produtividades alcançadas nos sistemas de produção utilizados e o longo período de tempo decorrido até‚ a estabilização da produção.

  •  Análise do Solo- O estudo dos requerimentos nutricionais de uma determinada cultura tem por objetivo o estabelecimento de práticas corretivas, que possibilitem a obtenção dos máximos rendimentos teoricamente possíveis a obtenção dos máximos dos genótipos explorados para a diagnose dos requerimentos nutricionais utilizando-se inicialmente a análise química do solo visando correção do pH e fornecimento dos nutrientes essenciais na fundação. A partir daí utiliza-se a experimentação como forte  de estabelecer fórmulas aproximadas para a correção da fertilidade, em função dos requerimentos do material genético (variedades, clones e híbridos ) cultivados.
  • Análise Foliar - A análise foliar, como forma de avaliar a situação nutricional do cajueiro, pode ser de grande valia prática pelo fato de revelar as quantidades de nutrientes absorvidas pela planta e a sua interpretação independe da disponibilidade do nutriente no solo, ou mesma da sua capacidade de troca como ocorre na análise de solo.
        A calagem e a adubação devem ser efetuados de acordo com a análise do solo, a qual deverá ser repetida, pelo menos, a cada 4 anos. 

__________PRINCIPAIS PRAGAS E DOENÇAS QUE ATACAM A CULTURA______

DOENÇAS
O cajueiro (Anacardium occidentale L., ) é considerado uma planta rústica extremamente adaptada as condições do litoral do Nordeste Brasileiro, onde ocorre espontaneamente na forma de pomares nativos.Assim, o desenvolvimento da cultura trás, como conseqüência. a ampliação dos problemas fitossanitários, exigindo esforços crescentes no aprofundamento do conhecimento dos mesmos e na busca de meios eficiente para combate-los. No Brasil, a maioria dos registros sobre doenças do cajueiro refere-se ao Nordeste, região onde se concentra a exploração da cajucultura. sendo assim, relatamos a seguir as principais doenças da cultura.
  •  Antracnose - Dentre as doenças que afetam o cajueiro, é a mais amplamente disseminada, tendo sido constatada em praticamente todos os Países onde se cultiva o caju. A doença torna-se particularmente severa nos anos de maior pluviosidade, principalmente com a ocorrência da das "chuvas do caju", durante a floração, possibilitando o ataque mais intenso às inflorescências, com maiores prejuízos  para a produção. O agente causal da doença ‚ Glomerella cingulata (Ston.), que ataca folhas, ramos, infloescência, pedúnculos e frutos. Nas folhas surgem manchas necróticas pardo-avermelhadas, de tamanho e forma variável, isoladas ou confluentes, determinando áreas mortas ou contorcidas nas margens,  o ápice ou qualquer ponto do limbo. Nos ramos, as lesões são deprimidas e alongadas, inicialmente de coloração parda, depois negra. Os frutos jovens (maturis), quando atacados, sofrem danos severos desde deformações até a seca e queda. agravando mais inda quando associados ao ataque de tripes e pulgão.  A fim de reduzir o potencial de inóculo do fungo, recomenda-se uma poda de limpeza, no iníci0 do período chuvoso e antes do fluxo foliar, colhendo e queimando as partes mais afetadas. Com relação ao controle químico, vários trabalhos experimentais tem demostrados a eficiência do uso de fungicida no combate a antracnose do cajueiro. Comprovaram a eficiência dos fungicidas Benomyl, Captafol, Hidróxido cobre, Mancozeb e outros, sendo o Captafol o mais adequado para controle da enfermidade. 0 plantio de “variedades” resistentes a doença seria a forma de controle mais viável e econômica. como também o controle do patógeno por métodos biológicos, empregando-se microorganismo antagônicos.
  • Fumagina - Embora não seja propriamente uma doença parasitaria, a fumagina merece referência em razão de sua elevada incidência. A doença é comumente encontrada nas áreas de cajucultura, onde prevalecem condições favoráveis ao complexo do fundo que a compõem, apresentando maior incidência nas épocas em que ocorrem maiores infestações de insetos excretores de substâncias açucaradas, tais como pulgão, cochinilha e mosca-branca. A fumagina geralmente apresenta-se recobrindo total ou parcialmente a superfície das folhas, na forma de uma película de cor negra e aspecto veludoso, facilmente destacável, constituída pelas próprias estruturas vegetativas e reprodutivas dos fungos. Eventualmente, a fumagina pode atingir ramos e inflorescência, causando seca e queda de flores. Fungos do gênero Clodosporium são freqüentemente, encontrados ma região do hilo de castanhas verdes, na forma de um revestimento oliváceo. O uso de inseticidas adequados para controle da praga (pulgão, cochinilha e mosca-branca) é, normalmente, suficiente para a eliminação da fumagina.
  • Oídio - É uma doença de ocorrência generalizada nos cajueirais do nordeste brasileiro, especialmente naqueles localizados em áreas com alta umidade, próximo à costa. Freqüentemente associado a Antracnose, ocorre o ano todo, com maior incidência na época seca. 0 agente causal é o fungo ectoparasita Oidium anacardii Noack. a incidência da doença e detectada pela presença, nas folhas, de um revestimento ralo, branco-acinzentado e pulverulento, resultante do intenso desenvolvimento do micélio e estruturas reprodutivas do patógeno. As folhas fortemente afetadas secam prematuramente e as novas retardam seu crescimento. Ocasionalmente atacam as inflorescências, com graves conseqüências para a produção. Em casos de manifestação muito severa, ou ataque as inflorescências, justifica-se a adoção de medidas de controle, mediante a aplicação de fungicidas a base de enxofre ou específicos para o oídio como: Dinocap, Binapacryl e Quinometionato. Outras doenças sem menor importância atacam o cajueiral como: Mancha de Alga; Mancha de Cercóspora ou Cercosporiose; Mofo Preto; Bolor Verde etc.
      PRAGAS
        O cajueiro Anacardium occidentale L. apresenta problemas de ordem fitossanitária que crescem a cada ano nas diferentes áreas produtoras. Os levantamentos sistemáticos de praga e inspeções realizadas periodicamente vem mostrando um aumento sensível da ocorrência de insetos e ácaros nessa cultura, alguns dos quais apresentando alta potencialidade como praga.
Outros insetos que ocorrem sobre o cajueiro, constatados em diferentes regiões do País porém sem expressão econômica como pragas da cultura. Abaixo relacionamos as pragas mais comum e áreas de ataque.
 
  •  Broca dos Ponteiros - Anthistarcha binoculares Meyrich, 1929. 
___________________________________________Lepiddoptera, Gelechiidae
A Broca das pontas afeta diretamente a produção, pois abre galerias nas pontas dos ramos e nas inflorescências, provocando sua murcha.
  •  Larva do Broto Terminal - Díptera, Cecidomyiidae.

  • As larvas atacam as gemas terminais e com a morte dos brotos a planta emite novas brotações laterais, as quais são também atacadas, imediatamente.
  • Tripes - Selenothrips rubrocinctus (Giard, 1901)

  • Os tripes atacam a face inferior das folhas, ponteiros, inflorescências e frutos. As partes afetadas tornam-se cloróticas a princípio passando depois para uma cor prateada.
  •  Pulgão da inflorescência - Aphis gossypii (Glover,1875).
____________________________________________Homoptera, Aphididae.
    As inflorescência atacadas ficam murchas ou secas, como se fossem prejudicadas pela antracnose; os maturis ficam deformados; há o aparecimento do “mela’, substância excretada pelos insetos e que servem de substrato para o aparecimento do fungo “fumagina”, que recobre as folhas c as inflorescências.
  • Mosca-Branca - Aleurodiclis cocois (curtis, 1846)
__________________________________________Homoptera, Aleyrodidae.
Localizam-se na face inferior das folhas. agrupadas em colônias numerosas, protegidas por secreção pulverulenta branca.
  • Cigarrinha – Homoptera, Cercopidae.

  • A cigarrinha ataca a base das inflorescências e frutos novos, sugando a seiva, onde produz uma espuma caracteri5tica para a proteção das ninfas.
  • Besouro vermelho - Crimissa cruralis stal, 1858
 

_________________________________________Coleoptera, chrysomelidae.
Tanto a larva como o adulto são fitófagos, destroem o limbo foliar causando séries prejuízos. As larvas são mais vorazes que os adultos, provocando maiores prejuízos.
 
  • Lagarta saia justa - Cicinnus callipius(Sch., 1928)
  •  

    ___________________________________________Lepidoptera, Mimallonidae
    As lagartas nos primeiros estágios ficam agrupadas nas folhas do cajueiro, passando os últimos instares separadas, envolvidas em uma folha, que lhe serve como abrigo. Esse invólucro apresenta na parte central um diâmetro maior, semelhante a uma saia justa, daí seu nome vulgar, sendo também conhecida como mini-saia.
    • Lagarta verde - Eacles imperialis magnifica (walk, 1956).

    • As lagartas destroem o limbo foliar, podendo desfolhar complemente as plantas.
    • Lagartas das folhas - Cerodirphia rubripes (Draudt,1930)
     

    __________________________________________Lepidoptera, Hemileucidae.
      As lagartas destroem o limbo foliar, podendo desfolhar completamente as plantas.
    • Véu de noiva - Thagona sp.
    __________________________________________Lepidoptera, Lymantriidae
      Esta lagarta ataca com intensidade, causando desfolha total ou parcial.
    •  Cochonilha - Pseudaonídia trilobitiformis (Breen, 1896).
    _____________________________________________Homoptera, Diaspididae
    As cochonilhas sugam intensamente a seiva das plantas, localizando-se ao longo das nervuras, principalmente na nervura central. As folhas apresentam amarelecimento nas partes atacadas dando posterior ressecamento, iniciando pela área das nervuras, dando um péssimo aspecto a arvore.
    • Broca do Caule - Marhallius Sp.
     

    _______________________________________Coleoptera, Curculionidae.
      O inseto ataca de cima para baixo, iniciando o ataque nas pontas dos galhos, descendo a medida que vão secando.
       
    • Ácaro-amarelo - Tenuipalpus anacardii De Leon, 1965
    ___________________________________________Acarina, Tenuipalpidae.
      Habitam na face interior das folhas, destruindo as células, provocando ressecamento no local afetado. Tais danos. embora de pouco monta, são parcialmente reconhecidos.
       
    • Traça das castanhas - Anacampsis Sp
    __________________________________________Lepidoptera, Gelechiidae.
    A larva é quem causa prejuízos ao cajueiro, atacando a castanha, destruindo-lhe toda a amêndoa e tornando—a imprestável para a comercialização.
    _____________________MELHORAMENTO________________________________________

            Uma variedade definida, obtida por seleção ou processo de melhoramento, pode ser identificada por algumas características que são transmitidas às progênies quando do cultivo por sementes. No cajueiro as designações varietais conhecidas, como caju-banana, caju-manteiga, caju-amarelo, caju-vermelho, entre outros, foram estabelecidas em função de atributos do pedúnculo, como o tamanho, cor, formato, sabor e consistência, os quais nem sempre são totalmente transmitidos a descendência, devido ao sistema de reprodução da espécie e a falta de controle da polinização. Deste modo, as sementes selecionadas, objetivando a manutenção de características desejáveis da planta mãe, apresentarão um grande percentual descendência diferenciados da matriz para a maioria dos caracteres, principalmente a produção. Por esta razão não existem, no sentido restrito da palavra, variedades definidas de cajueiro. entretanto, em função de um certo número de caracteres comuns que identificam um marcante polimorfismo para a espécie, é possível agrupar-se a grande variedade genética conhecida em dois grupos: o do tipo comum e o do tipo anão precoce.
            O aumento da produtividade‚ é também para o cajueiro o objetivo principal a ser alcançado pelo melhoramento e pode ser obtido, teoricamente pelo aumento do número de frutos por inflorescência, aumento do número de inflorescência da planta e aumento do peso do fruto.

     
    ______________PRODUÇÃO, COMERCIALIZAÇÃO E MERCADO________________

            A área ocupada com a cajucultura no nordeste esta estimada em torno de 660.000 ha, o que permite a obtenção, em anos de normalidade climática, cerca de 160.000 toneladas de castanhas “in natura”, correspondendo, portanto, a uma produtividade de 240 kg/ha, considerada muito baixa em relação ao potencial produtivo da espécie.
        A baixa produtividade por hectare dos três maiores produtores da região pode ser conseqüência do adensamento dos plantios racionais. 0 que parece contribuir para a proliferação de pragas e doenças.
    Perspectivas promissoras, no que concerne ao aumento de produtividade, através de utilização de material genético superior, traduzem—se nos resultados de pesquisa conduzidas pela EPACE com clones de cajueiro anão precoce, os quais revelam produções de 4,0 a 7,0 kg de castanhas por planta no quinto ano. Considerando os espaçamentos recomendados para o cajueiro anão precoce (8,0 m x 6,0 m) a produtividade já obtida por estes clones variam de 712 a 832 kg de castanha por hectare (quinto ano). Além desse material, a EPACE está tentando outros tipos de elevada capacidade produtiva, que poderão, no futuro próximo contribuir consideravelmente para o incremento da produtividade dos cajueirais nordestinos.
        De modo geral, a comercialização do caju tem início três a quatro meses antes da safra e é feita em moldes bastantes ineficientes, sendo que o ônus daí decorrente é, praticamente, todo do produtor ou apanhador. 
        A castanha do caju produzida no nordeste provém, sobretudo de grandes e médios proprietários, os quais independem de financiamentos não-institucionais e tem poder de barganha, sendo, portanto, menos vulneráveis as condições dos intermediários.
        Na comercialização da castanha “in natura”, estão envolvidos os agentes descritos a seguir:

    -Produtores;
    -Atacadistas Urbanos;
    -Atacadistas do interior;
    -Pequenos intermediários e
    -Industrias de beneficiamentos.
        São três os principais canais de comercialização da castanha do caju:
    •  O primeiro fluxo compreende a castanha que e vendida diretamente as indústrias de beneficiamento, onde é excluída a participação dos intermediários. Os produtores que participam deste fluxo são predominantemente grandes e médios proprietários, é possível que, eventualmente, pequenos produtores também participem deste fluxo.
    • O segundo fluxo já inclui três agentes, isto é,. produtores, grandes, atacadistas e industrias. Este canal se configura como um meio termo entre o 10 e o 30 fluxo.
    • O terceiro fluxo é mais complexo, pois é nele que os pequenos e grandes intermediários estão presentes. Este canal e responsável por grande parte da castanha negociada pelos pequenos produtores.
            A influência exercida sobre os níveis de preços da castanha “in natura”, pelo comércio internacional, é originária da demanda externa por ACC (Amêndoa da Castanha do Caju) e LCC (Líquido da Castanha do Caju).
             O comportamento anual dos preços da castanha de caju não segue as características gerais dos demais produtos agrícolas. Ao contrario, na época da comercialização, os preços detém a se elevar, sendo que no final da comercialização (jan-fev) e onde, geralmente, ocorrem os picos de preços elevados.
            Quanto ao pedúnculo, a comercialização de seus derivados(sucos, doces, licores etc.) restringe-se ao mercado interno.
            No entanto, o entrave que persiste a exportação do suco de caju é o teor de conservantes que ainda é inaceitável pelos exigentes mercados americanos e europeu. Até mesmo no mercado interno (Centro-Sul) há restrições semelhantes.
            A amêndoa de castanha do caju(ACC) é exportada em sua quase totalidade sem casca e semitorrada, o que a caracteriza para efeito de legislação do comércio internacional como produto básico. Desse modo a ACC tem sua entrada franca nos principais mercados e livre de barreira alfandegárias. Alem do mercado interno o Brasil exporta a castanha e LCC para os Estados Unidos, Países da Europa, Oriente e outros Países, como o México e a União Soviética.
            A demanda do LCC e bem mais concentrada do que a pela ACC, tendo em vista que somente os mais tradicionais compradores (EUA, Reino Unido) absorvem 87% do total exportado pelo Brasil.

    _________INDUSTRIALIZAÇÃO DO PESEUDOFRUTO E DA CASTANHA_________
     

            O processamento industrial do pseudofruto do cajueiro-pedúnculo hipertrofiado, hipocarpo ou maça do caju, que pode ressaltar um grupo variado de produtos, destaca-se a produção de suco simples (10o – 12o Brix) com polpa em suspensão. Esse suco turvo é geralmente, comercializado sob a denominação de “suco integral”, pasteurizado, contendo aditivos químicos e embalados em garrafas com  500 ml do produto. O suco do caju habitualmente,
    consumido como refresco, ou seja, após a diluição desse suco com água, adição de açúcar e gelado.
            Embora já venha sendo processado industrialmente no Nordeste para a produção de sucos, néctares, doces etc. O aproveitamento do pedúnculo do caju ainda é insignificante em relação à quantidade dessa matéria prima potencialmente disponível no período da safra.

            O pseudofruto ainda origina os seguintes processamentos:
     

    • Cajuína(Suco límpido de caju) 
    • Néctar de caju
    • Caju em calda
    • Caju “Ameixa”
    • Doce em nassa
    • Geleias
    • Caju cristalizado
    • Farinha do pedúnculo do caju
    • Vinho
    • Vinagre
    • Aguardente de caju 
    • Xarope

            O produto principal obtido na industrialização da castanha do caju é a amêndoa que, destinada em grande parte a exportação, e classificada em vários tipos, e apresentas como subprodutos, o liquido da castanha do caju – LCC. Outros produtos 0btidos da castanha do caju são os seguintes:

    • Película (testa) das castanhas, que servem como componente de ração animal e fonte de tanino para curtumes;
    • Cascas, para extração do LCC  e em seguida usadas come combustíveis de suas caldeiras e,
    • Creme de amêndoa, similar a pasta de amendoim. 
    Escreva-me dando sua sugestão:
     
    @Camboim