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Aurora Minchini Perrote, filha de Júlia
Fontana e Antonio Minhchini Perrote. Nasceu em casa, no Ypiranga. numa
travessa da Rua Silva Bueno, paralela ä rua Pacheco Chaves, no Reveillon
de 20 para 21 sendo registrada em 01/01/1921. Nesta noite de festa, enquanto
sua mãe Júlia dava ä luz a menina Aurora, primeira filha
do casal, acontecia uma procissão em frente à casa,
costume da época. Geralmente, todos apareciam à rua, nos
portões de suas casas, com velas ou lanternas de papel
colorido acesas, as mulheres cobertas de véu, e assistiam à
passagem, cantando músicas sacras. Alguns
acompanhavam a procissão até a Igreja São José
do Ipiranga, na Rua Brigadeiro Jordão, onde acontecia a Santa Missa.
Sabendo do nascimento da pequena Aurora, pararam em frente da casa,
cantaram especialmente para a família e ofertaram -lhe como lembrança,
uma linda colher de prata.Esta colher veio a pertencer à primeira
filha de Aurora, Vera, que passou para o seu primeiro filho, Caetano,
quando nasceu e foi dada ao primeiro filho deste , Leonardo, como uma herança
, lembrança de um evento tão feliz e importante.
Logo depois a família mudou-se para perto dali, na rua do Manifesto
e construíram mais um quarto e cozinha onde foram morar
a irmã Hermínia de Julia, com seu marido e as duas filhas,
Isaura e Odete.
Aurora crescia forte, bonita, inteligente e tinha como maior característica
o gênio alegre, a vontade de conhecer, de viver, o dom artístico
revelado na linda e afinada voz com que cantava as canções
da Escola Dominical Evangélica e nos desenhos, pinturas,
esculturas, bordados ou qualquer trabalho manual a que se dedicasse.
Talvez herança do seu pai Antonio, cujos trabalhos de pintura esmaltada
em metal podemos apreciar ainda hoje em alguns objetos que a família
guarda com muito carinho.
Além destas qualidades, possuía também grande
força de vontade, interesse em desenvolver tarefas, coragem
, discernimento do certo e do errado, poder de persuasão, de convencer
as pessoas com seus argumentos, e ainda uma grande e inabalada fé
em Deus, atributos este, que sem dúvida, aprimorou com o exemplo
e a educação cuidadosamente orientada pela sua
mãe, Julia.
Com o tempo, foi ganhando companheiros, seus irmãos, primeiro a
Guiomar, sua grande e inseparável amiga, depois o Toninho,
o conhecido Nêne,e depois, quando mudaram-se para um sobrado na Rua
Brigadeiro Jordão com Manifesto, o Jaime. Esta casa foi construída
com o auxílio de um abono que o pai, Perrote recebera por tornar-se
gerente da Metalúrgica Sillex, onde trabalhava.
Logo depois, construíram o sobrado na Rua Silva Bueno e alugaram
a casa da Manifesto. Montaram uma pequena loja de armarinhos, começando
com agulhas e linhas "Corrente" e dona Julia buscava na Rua Bresser confecções
que vendia para os "grandes industriais da época, de
fábricas de meias, o Fongaro, o Jafet e o Ciccuta. Foi quando Aurora,
com 14 anos, começou a trabalhar na fábrica d e meias do
Fongaro, mudando o seu Curso Comercial para a noite.
Na fábrica teve ricas experiências de vida e fazia muitos
pic- nics com a turma. Numa festa, num desses pic- nics, conheceu
Fiori, um italiano muito bonitão, educado
, que a tirou para dançar; a turma rodeou o casal e eles ficaram
ali, enrolados no meio do salão,sob os olhos cuidadosos do pai Perrote,
que a tudo assistia, sorrindo da brincadeira. O laço estava feito.
O passeio acabou mas a semente começara a germinar, embora nada
soubessem um do outro .
Foram tornar a se ver, somente um dia, depois de algum tempo(?), quando,
acometido de caxumba, Fiori foi levado por seu primo, Piereto Stival, a
uma senhora que benzia esta doença e a fazia sarar: nada mais,
nada menos que...dona Julia, a bondosa senhora do Bazar Perrote ! Ali
o italiano viu a sua princesa e passou a rodear a casa, começando
a encontrar-se com ela após o trabalho, na mesma fábrica
e levá-la para casa.
Era gostoso ficar em baixo do caramanchão de jasmim, todos os dias
, nos 15 minutos da hora de almoço !
Naquele tempo, "tirar linha"era flertar. Usavam também uma
forma "sensual"de assobiar, para dentro, que revelava o interesse
do rapaz pela moça.Se ela olhasse par trás, ou não
era "séria", "direita", ou estava aceitando o cortejo do rapaz.
Após terminado o período de "tirar linha",e de
oito meses de namoro, geralmente com o Jaiminho ou a Guiomar "de vela",
casaram-se a 14 de setembro de 1940 indo passar a Lua- de - Mel em Santos,
na praia José - Menino. O Jaime tinha mais ou menos
cinco anos e foi quando compraram o sítio de Campo Largo. O Nêne
era escoteiro.
Logo foram visitar os parentes do marido, no alto da Serra, onde
a recém casada, Aurora, conheceu a irmã Duzolina, seu
marido Amedeo Bérgamo ,a filha do casal, Elza, e muitos outros
amigos "do mato", que trabalhavam como lenhadores e carvoeiros,e que receberam
o casalzinho de braços e corações abertos. Duzolina,
que viera com Fiori da Itália, estava grávida do seu filho
Édio, que veio a nascer a 12 de junho de 1941, dois meses antes
do nascimento de Vera, a 1a filha do casal Aurora - Fiori.
Logo no início de 1941, foi comprovada a gravidez tão
esperada pelos jovens esposos, o que veio completar de felicidade
a vida de todos.
Aurora, inexperiente, apanhava com as tarefas da casa, arrumando, lavando,
passando, cozinhando. sempre orientada e auxiliada pacientemente pelo marido,
que tudo fazia para colaborar com ela e fazer da casinha simples e humilde,
um ninho de amor.Ao saber da gravidez, então, poupava-a de tudo
que a pudesse cansar ou aborrecer, e manifestavam sua felicidade por todos
os lugares aonde fossem..
O rádio ligado na toda! Aurora cantava o dia todo.Guiomar
casou-se logo depois com José Capelletti.
A 18 de agosto de 1941 nasceu Vera,enchendo
de alegria aquele ninho de amor.Quando esta estava com
nove meses, mudaram-se para a Via Anchieta, ,onde Fiori começou
a trabalhar com carvão.Construíu um barracão
ali, e começaram a vender o carvão que os parentes
"do mato" lhes enviava, sob encomenda. Fiori ia a pé até
a estação de trem do Ipiranga, tomava o trem para o Alto
da Serra e vinha com o caminhão e dois empregados, às duas
ou três horas da madrugada, trazendo o carvão para ser descarregado,
ensacado e comercializado pelo casal. Aurora participava sempre de tudo,
peneirando o carvão e ensacando para que o marido carregasse na
carroça e fosse entregar em domicílios pelo bairro,além
de cuidar da casa e da pequena Vera
Às vezes iam visitar os "nonos": iam a pé até o Ponto
final do bonde Fábrica, no Sacoman, e ali tomavam o bonde para chegar
na loja, à R. Silva Bueno. Os nonos vinham sempre a pé. caminhando
uns seis quilômetros .Os velhos foram sempre grandes incentivadores
, ajudando e orientando sempre que o casal precisava.
Esta
é a Aurora que todos conhecem: hoje tem 77 anos, que consegue esconder
tão bem, no sorriso constante dos seus lábios de baton,
com seus lindos cabelos dourados,sempre bem cuidados por ela, suas roupas
muito elegantes, quase todas feitas por ela mesma, com muito bom gosto,
e aquela voz, hoje mais rouca, mas sempre muito afinada, a cantar
as músicas de seu tempo, que nos ensinou a cantar com ela.
Os três filhos casados, a Vera professora, pedagoga aposentada
pela Prefeitura, o Mario, médico em Curitiba e a Lídia, médica
da Escola Paulista de Medicina.Vera, casada com Caetano de Genaro, deu-lhe
três netos quatro bisnetos e está esperando mais um.Mario,
casado com Terezinha de Jesus Gonçalves , deu-lhe mais três
netos e Lídia, casada com José Roberto Ferraro, deu-lhe os
dois netos mais novos.