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Nascido em 30 de Julho de 1914, na pequena cidade de Belfiori,
províincia de Promagiori, em Veneza na Italia, tendo por
pai Giovanni Stival e mãe Genoveffa
Berti Stival, que tiveram uma família numerosa, 17
filhos, todos sustentados pela atividade agricola e pastoril.
Viveu tempos dificieis, pois o frio e a neve eram muito severos
durante o inverno no lugar onde morava.
Na primeira Guerra Mundial, vê, embora pequeno seu quintal
invadido pelos alemães, sua mãe obrigada a fazer
comida para os soldados e seu pai escondido no mato para não
ser preso .
"Piccio", como era chamado pelos familiares, ao começar
a entender começa a trabalhar. Ajuda o pai e os irmãos
na lida da fazenda da família, aprendendo muitas coisas
entre elas a lidar com o bicho da seda (" Baco da seda"),
atividade que a família Stival desenvolve com maestria
e que lhe rende bom dinheiro.
Quando completa 17
anos , seu pai para livra-lo do serviço militar, resolve
chama-lo para trabalhar no Brasil, como fizera com Toni, seu irmão
mais velho. E la vai o Fiore com seus irmãos, o Angelo
e a Duzolina que carrega nos braços a pequena Elza , enfrentar
a viagem de navio até as terras onde não havia tanto
frio e onde o trabalho não faltava para quem o quizesse.
A viagem começa tumultuada, pois ao invés do vir
pelo navio Principesa Giovana que leveria 15 dias, partem no Conde
Rosso, navio mais lento e de menor porte, que balança muito
e faz os italianos passarem mal, por todos os 21 dias que demora
a chegar ao porto de Santos em SP.
É verdade que devolvem parte (em torno de 400 dolares)
do dinheiro pago para a viagem , importância com a
qual começam a empreender a viagem ao alto da Serra
de Santos, lugar onde viviam e trabalhavam seus parentes,
o Toni e sua familia, o marido da Duzolina (Amadeo Bergamo),
e o pai Giovanni. Isso em 21/01/1931
Que vida dura começa para quem não estava acostumado
com o clima, os animais, o machado etc. Cortar a lenha, empilha-la,
coloca-la extrategicamente para a feitura do carvão,
era a sua principal função.
Trabalhou para o Toni por algum tempo, até poder formar
sociedade com o Angelo, comprar alguns alqueires de mata, arranjar
fornecedores de sacos vazios, então fazer e vender o seu
próprio carvão.
O Brasil vive os tempos da Revolução de 1932...
Como não consiga renovar o contrato de exploração
das Matas da viuva Francisca ( a fazendeira ), deixa a Serra do
Mar para enfrentar a cidade grande, agora com dinheiro e alguma
chance.
Em São Paulo, hospeda-se na casa de seu primo em 2o. grau,
o "Piereto Stival" , onde acaba morando por 8 anos.
Com ele mora também seu Tio avô, o "Vecchio
Stival" que também chamava Piero.
Logo que chega à cidade, começa a trabalhar na Indústria
de Meias Fongaro , cujos donos, Angelo, José e Antonio
o apreciam muito, pois além de fazer o trabalho de limpeza
das máquinas, ainde se interessa em aprender a fazer meias
de seda para mulheres.
Com muito esforço, ficando depois do expediente, usando
muito "jeito" e boa vontade, consegue ir para a linha
de produção, chegando muito rapidamente a operador,
tornando-se o principal oficial da fábrica.
Enquanto isso acontece, conhece de maneira muito curiosa
Aurora Minchini Perrote. Estava com cachumba,
seu primo Piereto o leva a loja da Dna
Júlia, na Rua Silva Bueno, aquela senhora que
cura este tipo de problema com uma «Benção»,
No meio da «consulta», aparecem as irmãs
Aurora a loira e Guiomar a morena,
filhas da «curandeira» . O cupido ataca o coração
do Fiore, que dando uma piscada para a loira, de certa forma é
correspondido.
Começa um romance que duraria até os dias de hoje,
casando-se
sete meses depois, no dia 14/09/1940.
Moram na Rua Brigadeiro Jordão por alguns meses, continua
a trabalhar no Fongaro, mas começa a desenvolver a idéia
de se estabelecer com uma carvoaria, pois é tempo de Guerra
(a Segunda
Mundial) e o combustível está escasso.O carvão
vale muito.
Seu sogro, tem com alguns amigos, um terreno com uma casinha em
cima, na Via Anchieta (caminho do mar) que Fiore compra a prazo.
Vai ao alto da serra, onde seus familiares, ainda produzem carvão,
acerta a compra e a forma de pagamento, colocando assim em operação
a carvoaria, que além de vender carvão, também
produz e vende combustível para os carros a gasogênio,
muito utilizados na época.Seu irmão Angelo, é
seu sócio no negócio.
Sua mulher encontra tempo para ajuda-lo bastante, mesmo
após a nascimento da filha Vera
em 18/08/1941. Com esta ajuda e motivado pelo dinheiro que consegue
guardar, sonha fazer uma casa muito grande e linda, com entrada
para caminhões, de onde poderá gerenciar e ampliar
seus negócios.
No ano de 1945, em meio às obras das casa, nasce seu segundo
filho Mário.
Com o o final da Guerra a distribuição e venda
dos combustiveis derivados do petróleo, começam
a se normalizar, o gasogênio e o carvão tem
a procura muito reduzida fazendo com isso os negócios cairem
muito.
Não se amedronta, importa uma caminhoneta
G.M e parte para entrega de móveis
A casa, ou melhor o seu castelo, fica pronta em dezembro de 1948,
coinsidindo, com a chegada. de sua mãe (Dna Genoveffa),
seu irmão Luiz e toda família e juntos, hospedados
nesta maravilhosa propriedade comemoram a passagem do Natal.
Luiz, compra com o aval do Fiore, uma Gleba de Terras, onde monta
uma metalúrgica, sendo para isso hipocada a casa
nova. Fiore passa a dar assessoria na indústria, ficando
por lá, até que as coisas se solidificam,
as dívidas são pagas.
Seu irmão Angelo, querendo voltar para a Itália,
vende-lhe uma casa na Via Anchieta e também põe
fim à sociedade de ambos.
Acumula-se a venda e distribuição de carvão
com a entrega de móveis, tornando-se muito o trabalho que
antes era compartilhado por dois. Como consequência, adoece...
O doutor decreta:
"Não pode
mais fazer força, pois é o coração!"
Assim, vende a caminhonete, acaba com a carvoaria e começa
a trabalhar como chofer de praça, com o carro que compra,
um chevrolet 1946.
O ano de 1953 é marcado, entre outras coisas, pelo nascimento
da terceira e última filha no dia 18 de Dezembro. Era a
chegada da Lidia
!
Vem o segundo baque no coração pouco tempo depois,
porém bem mais forte que o primeiro, impossibilitando-o
totalmente de trabalhar.
Fica muito abalado por dois anos, até que ouve falar do
Padre
Donizete que faz milagres em Tambaú. Vai até
lá, fica muito comovido na hora que recebe a benção,
chora e sente que está curado.
E realmente, ao regressar, vai ao médico que para surpresa
de todos, nada encontra da doença que havia. Fiore esta
bom ! Já pode trabalhar !
Compra um Ford 1951 e recomeça seu trabalho como taxista.
Trabalha, trabalha, trabalha...Parece querer descontar os dois
anos que ficou parado.
A Vera completa o "Normal" e casa-se em 1961 com
Caetano
De Genaro.
Seu filho Mario, para sua imensa satisfação, inicia
no fim dos anos 60 o curso de Medicina.
Compra, muito cismado, seu primeiro fusca, 1200, cor de vinho,
ano 1966.
Aquire um título do Clube de Campo Rosa Mística,
empreendimento novo do Círculo Operário do Ipiranga,
onde tem muitos amigos. Logo toda a família, agora acrescida
dos netos, passa a frequentar este clube, onde vêem com
orgulho seu "nono" Fiore tornar-se campeão de
"bochas" por vários torneios.
No ano de 1973, é a vez da filha Lidia presenteá-lo
com seu sucesso. Entra na Escola Paulista de Medicina, após
vestibular concorridíssimo. Como prêmio, a Lidia
logo passa a dirigir o velho fusquinha vermelho, enquanto o orgulhoso
pai compra para sí e para o duro serviço de táxi
outro fusca, desta vez zero quilometros e de cor mostarda
Continua a trabalhar como chofer de táxi, e tem sua renda
melhorada pelo recebimento dos aluguéis de parte do imóvel
da Via Anchieta, o que porém era insuficiente para manter
os estudos dos filhos e o obriga a se desfazer da propriedade
que anos antes comprara ao irmão.
Seu filho Mario
logo se forma "Dotore" e casa-se com Terezinha de Jesus
Gonçalves (Cachopa), que conhecera no fim do curso e a
quem todos logo se afeiçoam.
Infelizmente, pouco depois, morrem seus sogros, que deixam para
a filha Aurora uma fração da propriedade rural que
tinham, que ele com muita alegria transforma no Sítio
Cantinho do Coração, onde, lógicamente
constrói um campo de bochas, além de uma boa casa
e todas as melhorias necessárias ao conforto dos filhos
e netos que passam a frequentar assíduamente a propriedade.
Estando prestes a se aposentar e dada a viagem de seu irmão
Luiz para a Itália, é convidado por este a voltar
à metalurgica. Aceita.
Nos fins de semana, tem como hobbie a agricultura
de seu sítio, que passa a produzir milho, mandioca,
feijão, abóboras, frutas etc... para os familiares
e visitantes. Dias de glória, mesa farta, família
reunida, de volta à terra como na infância.
Neste clima de alegria, a Lidia forma-se e casa-se
com o colega de turma, José
Roberto Ferraro (Zezinho).
Em virtude de um pequeno acidente sofrido na fábrica e
que não deixou seqüelas, aposenta-se em 1979, passando
a dividir seu tempo entre o Sítio, o Clube Rosa Mística
e algumas viagens que incluíram um retorno à Itália
para rever sua Terra natal.
Com o passar do tempo, a idade vai pesando e ele sente que é
melhor vender o sítio e comprar um apartamento de frente
para o mar, realizando assim um velho sonho da dedicada esposa.
Os últimos anos de sua vida, disfrutou ao lado de Aurora,
sua parceira nos jogos de carta, os prazeres da praia, as
viagens turísticas e de repouso, e o convívio alegre
com seus filhos, genros, nora, netos e bisnetos.
Após uma vida rica e produtiva, Fioravante Stival, eternamente lembrado como "Nono Fiore", já debilitado pela senilidade faleceu no dia 27 de Setembro de 2.001, às 05:20 hs, em seu apartamento, tendo a seu lado a inseparável companheira Aurora.