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ENTREVISTA DA SCI FI
Harry Potter surgiu, para você, completamente formado? Quais foram as influências?
Harry surgiu completamente formado. Nunca nenhum personagem surgiu dessa maneira para mim. Ele não tem um modelo vivo. Tanto Rony quanto a Hermione tem modelos vivos, mas Harry não. Ele, realmente, saiu do subconsciente. Ele, simplesmente, apareceu andando, inteiro mesmo. Estranhamente, o vi com a marca na testa, que então, ficou refinada antes mesmo de eu saber, como tinha ido parar ali. Foi esse o trampolim para toda a trama que percorre os sete livros. Rony é, vagamente, baseado num amigo mais antigo, um menino da minha escola, que hoje é um homem, chamado Sean, a quem dediquei o segundo livro.
Influências? Posso dizer que gosto de ler, mas, com toda a honestidade não vejo muita relação. Meus escritores favoritos quando eu era jovem: Paul Gallico, gostava muito dele, Elizabeth Joodge, mas também, lia C.S.Lewis como tudo mundo. Minha mãe lia muito, e, também, li muito Jane Austen. Em termos de livro a minha casa, nenhum era proibido para mim, por isso lia de tudo.
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Harry Potter é escrito sobre um contexto muito britânico. Porque você acha que culturas diferentes não consideraram isso uma barreira?
Quando fui para a América, depois de ter feito muitas leituras para as crianças inglesas, pensei: "Será que vão achar graça?" Elas riram, exatamente, nos mesmo trechos que as crianças inglesas, e, agora, acabei de passar pela mesma experiência na Alemanha. Devo dizer que crianças parecem crianças em toda parte se identificam muito com o tipo de emoções que os personagens sentem e vivem nos meus livros.
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Os personagens tem vida própria. Ele guiam você ou você os guias? Já houve algum momento que você queria que Harry fizesse alguma coisa que ele não fez?
O que mais me causa mais problemas é o Rony. Às vezes, quero fazer coisas que ele simplesmente não quer fazer. Já o Harry obedece. Talvez seja porque o conheço melhor, na verdade, acho que é por isso que nunca tentei forçar-lo a fazer algo que ele não ia querer. Então, uma vez, eles guiam você. É uma coisa engraçada, é como dirigir uma peça de teatro. Você acaba conhecendo tão bem o elenco que sabe o que ele farão e o que eles não farão.
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Como mudou sua vida depois do sucesso de seus livros?
Mudou muito. Principalmente no último ano. Eu diria que, até um ano atrás, vivia mais ou menos como sempre vivi. Isso tem sido a coisa mais incrível para mim, que as pessoas gostem tanto assim do Harry. Pensei que estava escrevendo um livro, que eu sabia que não era comercial. Isto é, dizem por aí que Harry foi agarrado pelo primeiro editor que o viu. Não foi nada disso! Muita gente disse "não". Por isso, até o fato de ter o meu livro publicado foi a coisa mais incrível. Tudo o que aconteceu comigo desde então... quando estamos do lado de dentro, sim, é muito desconcertante.
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Como foi que a Pedra Filosofal se transformou em a Pedra dos Mágicos*? Você acha que o seus livro precisam mudar um pouco para viajar o mundo todo?
Não acho que tem que mudar nada. Os livro vão continuar exatamente como eu planejei. Meu prazer é escrever. Não sou uma escritora que gosta de já ter escrito. É o maior divertimento que posso ter sozinha, sinceramente. Por isso, vou continuar fazendo como tenho feito. A Pedra dos Feiticeiros para a Pedra Filosofal? Se pudesse voltar no tempo, não teria deixado que mudassem o título. Tinha uma coisa que eu não queria mudar, e fiz a troca, deixando modificar a palavra do título e mantendo o que eu queria manter.
*[ para quem ainda não sabe, quando foi lançado na Inglaterra, o livro 1 se chamava Harry Potter and Philosopher's Stone, que ao pé da letra significa Harry Potter e a Pedra Filosofal. Mas no lançamento dos EUA decidiram mudar o nome para Harry Potter and the Sorcere's Stone, que significa Harry Potter e a Pedra dos Mágicos. É por isso que o livro tem dois nomes em inglês, um no Reino Unido e outro nos Estados Unidos. - Nota do Webmaster ]
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Suponho que sabe muita coisa de bruxaria, você tem algum livro de consulta? Você conhece muito também de monstros e fadas e outras criaturas, não é ?
Eu já sabia muito sobre essas coisas antes de ter a idéia de escrever Harry Potter e não sei como aprendi. Isso sempre me fascinou. Simplesmente, acho muito interessante aquilo que as pessoas costumavam acreditar que era verdade e como acreditam que funcionava. A história da a Pedra Filosofal conheço desde dos 20 anos e, especialmente, a história de Nicolau Flamell. Quando tive a idéia de escrever Harry, foi como se estivesse pesquisando no meu subconsciente. Pelo menos três quartos da magia dos meus livros é inventada. Na verdade, nunca usei encantamentos ou feitiços. Nunca fiz isso conscientemente. Quando uso uma criatura mitológica ou do folclore, gosto de saber, exatamente, o que as pessoas acreditavam sobre ela, antes de tomar liberdades. Mas, para outras criaturas como os mandraques e os unicórnios, dei poderes adicionais e brinco um ponto com elas; aos hipogrifos, apesar de acreditar em tais criaturas existiram, dei-lhes características que ninguém houvera divulgado.
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Será que você poderia falar um pouco o que sabe sobre o projeto de adaptação do primeiro livro para o cinema. Você impôs condições no seu contrato?
Sou eu quem vou aprovar o roteiro. Estou nervosa, afinal, todo autor que vende o seu trabalho fica nervoso. Quero muito ver o quadribol, por isso, estou muito animada também. Até agora eu diria que, se a Warner Brothes mantiver a sua palavra, vamos assistir uma adaptação muito fiel. Então, ficarei muito feliz.
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O que é mágica para você? Você não se espanta de ver tantas idéias suas do livro traduzidas em objetos e diversos jogos, pessoas que criam brincadeiras e pequenos bonecos e brinquedos representando Harry Potter?
Isso é merchandising que tem a ver com o filme. Você vende os direitos da filmagem. Não acredito que alguém nessa sala seja tão ingênuo a ponto de pensar que não haverá qualquer tipo de merchandising. Tenho opiniões muito claras sobre o assunto e a Warner Brothers sabe muito bem como eu penso. Há coisas que me deixariam muito contentes. Se as crianças brincassem de ser Harry Potter, eu acharia maravilhoso. Existem outras coisas as quais não gostaria de ver Harry Potter ligado e, no momento, só posso dizer que qualquer um que esteja fazendo merchandising não tem dúvida do que eu penso a respeito. A primeira pergunta... as crianças perguntam muito se acredito em mágica, no sentido da que aparece no livro, e a resposta é não. Não acredito. Outro tipo de magia, sem querer ser piegas, é quando você lê um livro. Isso é o que eu digo normalmente para as crianças. Acredito naquilo que se pode criar com a sua imaginação, como o leitor encontra a imaginação do autor e cria um mundo completo dentro da cabeça. Isso é um processo de magia maravilhoso.
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Você gostaria que os leitores tivessem a possibilidade de imaginar Harry Potter como quisessem. Agora, com o filme, eles não vão mais poder fazer isso. Isso a preocupa?
Quanto ao filme, as pessoas vivem dizendo isso para mim. Só posso dizer que muitos dos meus livros preferidos viraram filme, e nunca deixei de amá-los. E acho que o maior exemplo clássico para mim é sobre o livro Lolita. Existem duas adaptações, que eu considero muito ruins. Mas que nem de longe afetaram o gosto que tenho pelo livro, ou a maneira de como vejo os personagens. Acho que um exemplo mais próximo é a Fantástica Fábrica de Chocolate. O filme de Gene Wildeer, achei bem ruim. Por isso acho que, levando em conta a data prevista da estréia do filme e a Warrner Brothers cumprindo um esquema que estabeleceu (verão de 2001) as crianças já terão lido os quatro livros Harry Potter. Esse personagens estarão tão bem gravados na cabeça delas, que duvido muito que possam apagá-los mesmo que o filme seja diferente do que imaginaram. E quem tiver medo disso não deve assistir ao filme. É fácil! Ninguém vai obrigá-lo a vê-lo.
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Você está vivendo com Harry Potter a cerca de dez anos. Não está cansada dele?
Não estou. Eu gosto dele! Acho que um dos motivos de eu não me cansar dele é que há muitos personagens nesse série. Não só ele. Ainda gosto muito dele, mas tem gente nova entrando toda hora e gente saindo também. Eu só quero levá-lo até onde ele termina, levando todos para lá, é por isso que continuo escrevendo
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Você também acha que, de certa forma, as crianças devem ficar expostas à morte e a perda?
Como eu disse, jamais me aproximo da máquina de escrever pensando que vou ensinar o que elas precisam aprender. Mas estou um pouco curiosa para saber como as pessoas podem ficar tão chocadas por eu matar qualquer personagem, já que o livro começa com a morte dos pais de Harry. E esse fato não foi atenuado de maneira nenhuma.
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Sei que ainda falta muito, mas gostaria de saber se você tem alguma idéia do que vai escrever quando terminar os setes livros?
As idéias aparecem, eu anoto e guardo no meu arquivo. É muito provável que abrirei meu arquivo quando terminar de escrever o sétimo livro, achar tudo uma bobagem e resolver fazer outra coisa. Perguntam muito quando vou escrever um livro para adultos? Como se eu não fosse uma escritora de verdade até escrever um livro para adultos. Nunca senti isso e ainda não sinto. Se ficar conhecida como escritora de livros infantis até o fim da vida, nunca me considerarei inferior por isso. Da mesma forma, se tivesse uma boa idéia para um livro para adultos, eu faria.
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Queria saber um pouco mais sobre os tipos de perguntas que as crianças fazem.
No momento, elas estão muito preocupadas com a morte, o que é uma boa coisa. Todas acham que vou matar Rony, e acho que são muito astutas. Já viram muitos filmes em que o melhor amigo do herói morre, e isso abre caminho para uma seqüência em que a questão passar a ser a pessoal. Elas também estão preocupadas em saber se vou matar Hagrid. Ninguém fica preocupado com a Hermione. Disse isso para um grupo de crianças outro dia e um menino comentou: "Ah, ela sabe se cuidar". As crianças costumam perguntar sobre os personagens. Falam deles como se fossem amigos comuns nossos e que eu conheço um pouquinho melhor.
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Pode explicar alguma coisa a respeito do seu último Harry Potter?
O quarto livro é a Copa de Mundo de quadribol. Harry vai a essa copa como espectador. A grande questão são as mortes. Há realmente uma morte no quarto livro. Mas não... não vou dizer que foi. Tenho que ter muito cuidado, se não vou estragar tudo para as crianças. É verdade que já escrevi o último capítulo do sétimo livro. Muitas crianças apareciam e começavam a procurar os textos, entrei em pânico. Mas tudo não passou de uma brincadeira. As pessoas diziam para que eu guardasse num lugar seguro, no banco. Eu dava risadas, mas um menino chegou perto demais, e acabei fazendo isso.
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