Nascida em 30 de maio
de 1915 no bairro da Barra Funda na capital de São Paulo.
Seus pais eram Angelo José Gobbato e
Luiza Montesi Gobbato, ambos Italianos e dessa familia conheceu apenas
os irmãos de sua mãe, os tios Armando e Claudina e pai deles,
o "nono", que marava na casa dos Gobbato no " quartão del
fundo ".
Desde cedo, Celeste, como éra chamada pelos familiares e amigos,
começou a trabalhar como costureira. Não pode terminar o
curso primário, pois seus afazeres em casa e o trabalho não
lhe deixavam tempo para o estudo.
No início dos anos 30, ao final de sua adolecência,
perdeu a mãe e viu-se obrigada a ajudar a criar os irmão
menores, juntamente com sua irmã Bruna, pois a mais velha
Matilde "Clara" já havia casado.Anita,
Alfredo, Diva, Zilda, Elza e o irmão caçula Ivo, nescessitavam
de cuidados maternos, pricipalmente os mais miudos.
Após alguns anos, seu pai casou-se novamente , com Dna.Maria Bussoletti,
uma senhora muito doce, dedicada e bondoza, e por isso foi logo bem aceita
e querida por todos (além de uma excelente cozinheira !).
Em meados dos anos trinta , Celeste trabalhava na oficina de costura do
seu Adolfo juntamente com Florinda, uma colega por quem se afeiçoou.
Num feriado de carnaval, Florinda convidou-a a conhecer sua casa
e ali foi apresentada a Salvador de Gennaro, irmão de Florinda ,
que estava tocando violão e logo houve simpatia mutua.Salvador já
conhecia a irmã de Celeste, Clara, da alfaiataria Cerrato na Rua
Augusta onde éla trabalhava.
Coincidências a parte, naquela tarde Salvador acompanhou Celeste
até a praça da Sé, no ônibus que a levaria para
o Sacomã,onde ela morava. A partir daí, as visitas de Salvador
à Celeste eram constantes e ele sempre levava-lhe doces, conquistando
assim, também a simpatia dos futuros cunhados.
Casaram-se em 1937, na igreja de Santa Cecília, Barra Funda e passaram
sua lua de mel em Santos.
Sua primeira filha, Maria Luiza (Marilu), nasceu em 13.11.1938 e quando
ela tinha 6 meses de idade, em 1939, a família mudou-se para o Rio
de Janeiro por motivos de trabalho de Salvador, onde permaneceu até
1944.
Foi um tempo difícil para ela, uma vez que via-se completamente
separada da familia, numa cidade estranha, com uma filha pequena para cuidar.
Em 15.07.1940, nasceu seu 2º filho, Caetano, de um parto difícil
no 8º mês de gestação.
O marido continuava trabalhando no mercado do Rio de Janeiro mas a vida
por lá também não éra nada fácil e eles,
após nascimento de seu terceiro filho, Roberto em 16/06/1942 decidiram
voltar para São Paulo, quando Salvador recebeu convite do
seu irmão, Vicente, para trabalhar na "Casa Genaro", no Parque Don
Pedro II.
Rever seus familiares, foi muito bom para Celeste, pois agora, com 3 crianças,
muito tinha em comum com suas irmãs e cunhadas.
Os fins de semana na casa de seu pai, à Rua Agostinho Gomes, 3094no
bairro do Sacomã, eram "sagrados" e memoráveis, especialmente
para as crianças que, juntamente com os primos de idades variadas,
faziam "aquela farra".
Alguns dias antes do casamento de seu filho Caetano, no dia 02/06/61, faleceu
seu pai. Dona Maria, para não ficar sozinha, foi morar com suas
sobrinhas e a casa de seu pai, que tantas recordações suscita
ainda hoje, foi vendida. Em seu lugar foi construido um prédio.
Nessa época, Celeste, o marido e os dois filhos solteiros mudaram-se
da Rua Almirante Lobo no Ypiranga, para um apartamento na Rua Carlos Steinen,
no Paraiso, onde morou até o fim de seus dias.
Na década de 70, já com os três filhos casados e 4
netos nascidos, inicia-se para Celeste uma fase de tranquilidade. Começam
as viagens, primeiramente a cidades mais próximas; depois a outros
Estados e até a mais longa delas, à Europa por quatro meses
e meio, juntamente com os sogros do Roberto, seu João e dna.Amélia,
em 1973. Durante essa viagem, inteirou-se através de cartas que
iria ser avó mais duas vezes: sua filha Marilu e sua nora Vera haviam
ficado grávidas com tres meses de diferença.
Em 1981, com o nascimento da última neta, Marcia Evelise, completa-se
a família: dois filhos, uma filha, duas noras, um genro e nove netos.
Pouco tempo mais tarde chegaria ainda a conhecer dois bisnetos, Leo e Juliana,
filhos do neto Caetaninho e da Marcia.
Ainda éra em seus setenta anos, uma mulher muito ativa e forte,
chegando a ganhar premiações em participações
de campeonatos de natação no clube onde praticava esse esporte
com frequência.
Sua presença alegre, sempre fez-se notar nas festas juninas no sítio
do seu filho Caetano, nas viagens a Aguas de São Pedro ou nas emocionantes
partidas de buraco com o casal Aurora e Fiore, pais de sua nora Vera, ou
ainda com os amigos do prédio onde residia.
Em 14 de setembro de 1990, após vários dias hospitalizada,
Celeste vem a falecer no Hospital Beneficiência Portuguesa.
Deixou em todos que a conheceram, especialmente nos netos, muitas saudades.
Saudades dos Natais em seu apartamento, onde cuidadosamente preparava a
vinda do Papai Noel com toda fantasia, encanto e magia, para que os netos
e os presentes se sentissem felizes naquela festa; saudades dos dias em
Santos, na praia José Menino onde possuia um apartamento; saudades
das estórias especialmente a do "magueto" pacientemente contada
enquanto distribuia, antes aos filhos e por fim aos netos maçãs
raspadinha; saudades da sua deliciosa salada de salsão, do cabrito
e de tantos outros pratos que preparava com tanto cuidadado nos tradicionais
almoços de primeiro de janeiro em seu apartamento; enfim, saudades
profundas de quem sempre representou e representa ainda hoje, para a família
De Genaro, um de seus mais fortes e importantes pilares.