From "A Beginning" Until "The End" - The Beatles Anthology 3

 

por Mario C. Loureiro Júnior

Hoje (17/11/96) , requisitado por Emílio Hoffmann Neto (LLD) para fazer esses comentários sobre o Anthology 3, acabando de ouvir a primeira crítica "boa" sobre o projeto Anthology por um não-Beatlemaníaco, desde quando a Rede Globo passou a série para a TV, por essa mesma. Também acabei querendo colocá-los na minha página...
The Beatles Anthology 3, lançado em 29 de Outubro, nada mais é do que uma viagem basicamente acústica pelo interior dos projetos e da descontração dentro e "fora" dos estúdios dos Beatles, é incrível... A música tão desejada, que era "Grow Old With Me", e mais tarde a música "All For Love", acabou não saindo mesmo como já tinhamos dito aqui e tínhamos a real impressão depois do útimo depoimento de Paul McCartney sobre o Anthology: "Não ficamos satisfeitos com os resultados das novas músicas".
Começaremos os comentários música a música com a primeira faixa: "A Beginning", que foi, primeiramente, feita como uma introdução orquestrada para a música "Don't Pass Me By" (do Ringo), por George Martin. Gravada durante as sessões de "Good Night", utilizando os mesmos músicos nas duas.A escolha dessa música, que eu suponho que até hoje não tinha este nome, foi muito boa, quando descarta All For Love, pois ela funciona como um "túnel do tempo" para nossas mentes e corações.
Em 1968, o principal lugar que os Beatles se reuniam para fazer as "Demos Acústicas" de suas composições era na casa de campo de George Harrison, em Esher, à sudoeste de Londres, de onde saiu grande parte do conhecido Álbum Branco, e essas sessões são conhecidas como The Esher Demos, essas demos são estão a seguir relacionadas: "Happiness Is A Warm Gun", mostra John praguejando o erro que cometeu no início da música. Já "Polythene Pam" e "Glass Onion" mostram que mesmo no final da carreira eles não prdiam o senso de humor como muitos pensam, Paul e John brincam no meio no meio das músicas, como em muitos de seus ensaios anteriores. "Polythene Pam" só saiu no disco "Abbey Road", juntamente com "Mean Mr Mustard". "Junk", outra dessas demos, ficou escondida do público por dois anos até que apareceu no primeiro álbum solo do Paul, McCartney. Fora essas, outras Esher Demos que aparecem no Anthology 3 são: "Piggies" e "Honey Pie".
Também temos "Helter Skelter", que mostra uma versão completamente diferente da conhecida, gravada no dia 18 de Julho de 68 (esta data lhe faz lembrar de algo?), alguns meses antes do começo das gravações do Álbum Branco."Don't Pass Me By", gravada na mesma época, mostra uma faixa de base muito semelhante com a "original", a principal diferença é a falta do violino "country" na música, além do vocal diferenciado no final da música.
"OB-LA-DI, OB-LA-DA", esta versão traz muitas diferanças da convencional, saxofones e congas, três dias de trabalho e a desaprovação de Paul, mesmo assim saiu um grande resultado..."Good Night", estilo de um ensaio para a versão definitiva dessa lullaby. "Cry Baby Cry", esta versão marca pela falta de alguns instrumentos como o piano e outros de menor importância, e também pela falta do refrão final: "Can you...". "Blackbird", este take mostra algunsestranhos barulhos como aos 38 e 57 segundos e também à 1:19, também inclui o final sem assovio.
"Sexy Sadie", mostra um take baseado somente no quarteto básico: guitarras, baixo e bateria, sem back vocal, piano e percursão adicional. Outra a apresentar grandes variações é o take já muito conhecido nos discos piratas de "While My Guitar Gently Weeps", que é o preferido take de Paul McCartney dessa música de George Harrison, que mostra uma versão simples e acústica dessa famosa música com o acompanhameto de orgão por Paul (sem a participação de Eric Clapton, John ou Ringo)...
A primeira semi-faixa de "Hey Jude" mostra uma brincadeira feita por John e rebatida por Paul, a música em si mostra um acompanhamento diferente e o final (Da, da...) cantado somente por Paul. A primeira "inédita" desse álbum, "Not Guilty", mostra uma versão beatle diferente da original no seu álbum de 79, "George Harrison".
"Mother Nature's Son", o começo dessa faixa mostra Paul pedindo para alterar algo na configuração do seu microfone. Já a mixagem mono de "Glass Onion" mostra um final diferntem com o narrador da BBC dizendo "It's a goal" juntamente com o som de vidro quebrando. O take 8 de "Rocky Ranccoon", mostra as brincadeiras de Paul no meio da música além do começo "muito rimado" que não existe na versão final. Chegamos finalmente a uma música realmente inédita, "What's The New Mary Jane", esta música mostra alguns recursos nunca usados pelos Beatles como a distorssão e a repetição excessiva no refrão, o que deixa a música realmente chata. Mas não é isso que acontece em "Step Inside Love" e "Los Paranoias", que são duas músicas que poderiam ser gravadas pelos próprios Beatles, apesar de serem basicamente simples e acústicas, essas músicas são muto boas, elas valem já todo Anthology III, elas foram gravadas nas mesmas sessões de "I Will", onde só George Harrison não participa. Nessa última música a seleção antológica foi para o take 1, que é basicamente o mesmo que o take 67, que foi considerado o melhor.
"I'm So Tired", é muito parecida, também com a original, mas sem overdubs (instrumentos adicionais). Nesta versão de "Why Don't We Do It In The Road", a música é basicamente acústica e solo (Paul).
A faixa que encerra o primeiro disco do álbum é "Julia", que traz uma versão parcialmente instrumental e solo (John) com comentários de Paul e John no final da música.
O segundo disco começa com "I've Got a Feeling", que apresenta brincadeiras de John na núsica. Já "She Came In Through The Bathroom Window" é um ensaio com uma versão de aparencia muito diferente da oficial, onde Paul termina "ajeitando" a música de seu modo. No mesmo dia eles gravaram um dos takes de "Dig A Pony", com o começo com o refrão "All I want is", que sempre foi da música e que no álbum "Let It Be" não foi mixado, já no final da música é comentado por John um nome: "Ricky And The Red Streaks, que seria um pseudônimo dos Beatles.
"Two Of Us", que é praticamente igual a oficial, com a única diferença, que Paul fala "Take it, Phil", uma referência aos Evely Brothers. "For You Blue" é outra música a mostrar igualdade a do álbum "Let It Be", só com o vocal diferente. Já "Teddy Boy" é uma versão primitiva da música do álbum "McCartney", nesta versão se percebe que Paul ainda não tinha definido a letra direito (muitas repetições") e também com brincadeiras de John.
"Rip It Up / Shake Rattle And Roll / Blue Suede Shoes", essas músicas são muito mais antigas que os Beatles na formação em que conhecemos, uma boa performance de oldies "inéditas" para os Beatlemaníacos. Gravada no mesmo dia,"The Long And Winding Road", ainda sem overdubs, a música foi tocada junto a Billy Preston, que também tocou no medley (Rip It Up/...).
"Oh! Darling", versão com muitas brincadeiras especialmente no final, quando John diz que a papelada com o advogado está Ok, para a separação com a Yoko.
"All Things Must Pass" , demo gravada no seu 26o. aniversário, com overdub para 2a. guitarra, que só veio a sair no seu 1o. álbum solo, de mesmo nome. "Old Brown Shoes" é outra demo gravada no mesmo dia, com overdub para guitarra, sendo o vocal e piano a faixa principal. "Something" , é outra demo (a mais simples de todas), com somente uma faixa e alguns outros refrões não incluídos na versão definitiva.
"Mailman Bring Me No More Blues", outra bonita música, cover de Buddy Holly. "Get Back", versão gravada no teto da Apple, de onde eles tiraram o final da versão definitiva. "Octopus's Garden", basicamente igual, mas aqui com alguns riffs adicionais e voz guia de Ringo, que foram tirados na fita master.
Esta versão de "Maxwell's Silver Hammer", conta com brincadeiras de Paul no meio da música, quando ele esquece a letra. "Come Togheter", nesta versão básica a voz de John falha umas vezes e ao invés de ter a tamboura, ele bate as mãos na metade da faixa, além de haver alterações na letra.
"Come And Get It", nesta demo, feita em menos de uma hora, Paul mostra toda sua habilidade com os instrumentos que foi cedida ao Badfinger (The Iveys), que foi tomada como faixa tema do filme "The Magic Chrtistian", de Ringo Starr e Peter Sellers (P.S.: Eu prefiro a versão demo à original do Badfinger). Gravada no mesmo dia, "Ain't She Sweet", agora com uma versão mais leve do que a de 1961 (que inclusive apareceu no Anth. 1).
"Because", esta faixa é o vocal definitivo dessa música, que depois seria adicionado baixo, guitarras e outros instrumentos. "Let It Be", uma versão diferente dando ênfase a guitarra solo. "I Me Mine", mesma faixa do álbum "Let It Be", só que mais curta (sem a participação de John), na oficial Phil Spector, George Harrison e John reproduziram-na para ficar com uma duração de 2:25. Esta faixa mostra a última reunião dos três Beatles (Paul, George e Ringo), pelos 24 anos seguintes (até as sessões de "Free As A Bird" / "Real Love").
A última música desse álbum, traz uma versão que inclui arcordes de guitarra no meio da música que não existe na oficial, apesar de ser menor ela traz um final com acordes orquestrados das sessões de "Sgt Pepper...". Esta Música não poderia ser nada mais nada menos que:

"The End"

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