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OS REIZES
A MATANÇA
Das festas tradicionais foi sem dúvida a matança do porco, aquela em que o terceirense que por natureza é alegre e folgazão, encontrou motivo para expandir a sua alegria; convidava familiares e amigos e obsequiando e distinguindo pessoas a quem devia favores.
Todos matavam o seu porco e a casa de maior fartura matava dois ou três.
A matança era motivo de alegria geral na família, pois todos se preparavam para o grande dia.
Preparavam-se as salgadeiras, os alguidares, faziam-se os convites, preparavam-se os aventais e os panos para limpar o porco. Na véspera preparavam-se as cebolas e a salsa e no dia logo pela manhã ao irem chegando os convidados, não faltava o café as bolachas e a aguardente.
Depois dos trabalhos realizados, os homens jogavam às cartas, as mulheres entretiam-se falando da vida alheia e preparando o jantar, enquanto que a pequenada organizava um jogo de futebol, enquanto a bexiga não rebentava.
Era a algria total.
O povo dizia: "Quem nunca matou nem casou, nunca se consolou".
RANCHO DE CANTARES OU "OS REIZES"
CANTAR À PORTA
| I. Ó Senhor dono da Casa (Bis) | V. Ai! Falei da vossa matança (Bis) |
| Ai! Lá vai, lá vai à vossa saúde (Bis) | Mas dela, mas dela não quero nada (Bis) |
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Não vim tarde, Ai! Nem vim cedo (Bis) |
Eu só, Eu só quero entrar (Bis) |
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Ai! Vim! Ai vim foi às horas que pude (Bis) |
Na Vossa, na vossa santa moradia (Bis) |
| III. Ai! Já chegou à vossa porta (Bis) | VI. Ó senhor, Ó senhor dono da casa (Bis) |
| Ai! quem, Ai quem havia de chegar, | Vem abrir, vem abrir a porta agente (Bis) |
| Ai! são todos amigos vossos (Bis) | Já sinto, já sinto a alma em brasa (Bis) |
| Ai! que, Ai que vos vem aqui visitar (Bis) | Para provar, provar a aguardente. (Bis) |
| III. Ó Senhor dono da casa (Bis) | VII.Abre-me, abre-me a tua porta (Bis) |
| Desculpai, desculpai a confiança (Bis) | Ai! que está, está muita geada (Bis) |
| Nós viemos vos visitar (Bis) | Se não, se não me abres a porta (Bis) |
| Ai! por ser, Ai! por ser dia de matança | Não és homem, não és e nem és nada (Bis) |
| IV. Ai! hoje é dia, Ai! de mtança (Bis) | VIII. Já que abriste a porta agente (Bis) |
| Comida, comida não vai faltar (Bis) | Foste uma pessoa educada (Bis) |
| Pois eu trago, eu trago na lembrança (Bis) | E o rancho fica contente (Bis) |
| Que muito tens aí para nos dar (Bis) | E no fim não te custou nada (Bis) |
NATAL DOS REIS
Refrão
Andar de noite, p'ra nós é o ideal;
Cantar os reis, pelas festas do Natal;
Andar de noite, glórias para todo povo;
Dar boas vindas, que estamos no ano novo;
| I. Viemos de lá tão longe | II. Os reis nós vamos cantar | III. Foi numa gruta tão fria |
| Dispostos parra cantar | A Jesus assim igual | Lugar feliz e sagrado |
| E se nos derem licença | Para a todos recordar | Que nasceu o Deus menino |
| Nós vamos já começar | A linda festa Nata | Numas palhinhas deitado |
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IV. Aos três reis do Oriente |
V. Ao Rei ofereceram ouro |
| Uma estrela apareceu | A mirra ao homem dador |
| Dizendo a toda a gente | Incenso ao Eterno Deus |
| Aonde Jesus nasceu | Tudo prendas de amor |
A CHACOTA
DEPOIS DE ABRIR A PORTA
| I. Eu já vi a luz das trevas | II. Abriste-me a vossa porta | III. Em te vir hoje visitar |
| Ai na nossa casa a brilhar | Ai com prazer e alegria | Foi fraca a nossa lembrança |
| Cá se nos dás licença | Se fosse à minha casa | Foi só por ouvir dizer |
| Ai nela eu quero entrar | Ai outro tanto eu vos faria | Que tu estavas de matança |
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IV. Meu nobre dono da casa |
V. Lá for a está tanto frio |
VI. Meu nobre dono da casa |
| Ai! porta abre-se luz acesa | Que eu já venho a tremer | Ai não vos quero enfadar mais |
| Abre as portas do almário | Traga o compadre p'ra aqui | Se acaso nos dás licença |
| E pões o vinho em riba da mesa | Ai! qualquer coisa p'ra aquecer | Ai lindas noites finais |
CHARAMBA DE CANTORES OU CHARAMBÃO
| I. A visto de aqui chegar | II. Boa noite ó meu vizinho | III. O porco sempre morreu |
| Eu vou dar o meu pé de entrada | Minha vizinha igualmente | P'ra nos dar esta folia |
| Para depois cumprimentar | Eu vim à vossa matança | E quem será que comeu |
| Os donos desta morada | Porque gosto da aguardente | O torresmo da agonia |
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IV. Na rua estava tanto frio |
V. A vossa matança é bela |
VI. Primeiro um cumprimento |
| Que até venho a tremer | Parabéns estou contente | A senhoras e senhores |
| Traga ó [nome da pessoa] p'ra qui | Oxalá que a morcela | Boa noite a toda a gente |
| Qualquer coisa para aquecer | Chegue para toda agente | Deste rancho de cantores |
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VII. Quero dar as boas noites |
VII. Ainda que eu queira afastar-me |
IX. Se acaso não me engano |
| Aos donos desta morada | De ti eu por mim não posso | O seu porco não está mau |
| Pela bondade que tem | Viemos cá visitar-te | Oxalá que para o ano |
| De sofrer tanta maçada | Por que és um amigo nosso |
Tu matasses coutro igual |
AS MENINAS
| I. Quero cantar as meninas | II. Eu vou cantar as meninas | III. Eu vou cantar as meninas |
| Já que outra moda não sei | Que é uma moda engraçada | Eu disse que não cantava mais |
| Tu eras nova de idade | É uma moda das mais finas | Vejam lá como se canta |
| Quando a elas me inclinei | Sendo ela bem bailada | As modas regionais |
| IV. Eu vou cantar as meninas |
| Porque agente gosta delas |
| Elas são lindas e finas |
| São umas puras donzelas |
A CAMPONA
| I. Ó Campona ó campona | II. Esta moda da campona | III. Ó Campona ó campona |
| Ó Campona do outeiro | Nunca havia de acabar | Ó Campona da canada |
| Quando a tua mãe coser | É a moda mais bonita | Quando a tua mãe coser |
| Hás-de dar-me um pão inteiro | Para quem sabe bailar | Hás-de dar-me uma caspiada |
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IV. Ó Campona ó campona |
V. Esta moda da campona |
VI.Esta moda da campona |
| Ó campona outra vez | Bailadinha com asseio | Por hoje é a derradeira |
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Ainda me hei-de pagar |
Para mais graça lhe dar | Vamos agora acabar |
| O que tua mãe me fez | Leva-se o pézinho ao meio | Adeus atá à primeira |