Resposta ao Inquérito de Licínio dos Santos, em A Loucura dos Intelectuais - Rio de Janeiro - 1914


Nome: Augusto dos Anjos.
Idade: 28 anos.
Profissão: Professor e advogado.
Filiação: Filho legítimo do bacharel Alexandre R. dos Anjos e D. Córdula C. R. dos Anjos.
Estado civil: Casado.
Antecedentes hereditários: Meu pai, vítima de surmenage morreu de paralisia geral e minha mãe é excessivamente nervosa.
Antecedentes pessoais:
O que pode me adiantar sobre sua infância: Desde a mias tenra idade eu me entreguei exclusivamente aos estudos, relegando por completo tudo quanto concerne ao desenvolvimento, numa atmosfera de rigorosíssima moralidade, da chamada vida física.
Onde e como foi educado: Na Paraíba do Norte, Engenho Pau D'Arco.
Quais os autores que mais o impressionaram: Shakespeare, Edgar Poe.
Qual o seu autor favorito: Todos os bons autores me agradam.
Como faz o seu trabalho intelectual: Durante o dia, quase sempre andando no meio de toda azáfama ambiente ou à noite deitado. Conservo de memória tudo quanto produzo. São muito poucas vezes que me sento a mesa para produzir.
Quais as horas que dedica ao seu trabalho intelectual: Não tenho horas metodicamente preferidas para o meu trabalho mental
O que sente de anormal quando está produzindo: Uma série indescritível de fenômenos nervosos, acompanhados muitas vezes de uma vontade de chorar.
Em que idade começou a produzir: Se não me falha o poder de reminiscência, presumo, comecei a produzir muito antes dos 9 anos.
Quais os trabalhos que deu à luz até a presente data: Um livro de versos, Eu.
Quais as cores de sua predileção: A vermelha e a azul.
Quantas horas repousa: Meu repouso varia de 7 a 8 horas.
Sofre de insônia, cefaléia ou amnésia: Até a data não sofro absolutamente de amnésia. Tenho insônia raras vezes, mas a cefalalgia persegue-me constantemente.
Tem continuados sonhos fantásticos: Quanto a sonhos fantásticos é também muito raramente que os tenho.
Faz as suas refeições com irregularidade: Sim.
Tem muito apetite: Regular.
Faz uso do álcool: Não.
Faz uso excessivo do café, chá ou outro excitante intelectual: Sou contra os excessos, o que não impede, entretanto, de abusar um pouco do café.


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