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Como começou? Conceito
A Produção Têxtil na Índia A Índia, situada no centro-sul da Ásia, é o maior produtor mundial de algodão e juta. É um país pobre, fruto de uma sociedade dividida em castas cuja maioria da população se dedica a agricultura de subsistência. Quando ouvimos falar na Índia, nos vem a mente três pontos de destaque de sua cultura: a pobreza, a religião e a beleza dos tecidos que produz. É sobre os tecidos indianos que iremos falar aqui. Na forma de sari (traje de feminino) os têxteis indianos são tidos como a maior expressão artística indiana. Além de arte, podemos ver um pouco da religião nas estampas e da contraposição a pobreza, de cerca de 70% da população, na mistura de fios de ouro e prata na composição dos tecidos. Este país é conhecido pela sua capacidade de absorver influências externas e a tecelagem é um grande exemplo disto. Sofreu grandes modificações ao longo do tempo através dos contatos comerciais com outros países da Ásia e da Europa também. Uma importante inovação, na área têxtil, foi inspirada pelo imperador Akbar que durante os anos em que ficou exilado na Pérsia (1540-1555), devido a invasão tibetana, conheceu a seda e formas mais práticas de produção. Retornando a Índia, Akbar fundou as oficinas imperiais que além de produzirem tecidos, funcionavam como escolas para o aperfeiçoamento de tecelões e fornecedoras de matérias-primas para as diversas cidades indianas. Estas oficinas tinham como professores mestres artesãos persas que dominavam a técnica da produção de tecidos com fios de seda. Os tecidos que mais se destacam são os brocados com fios de ouro e prata; os ikat, elaborados com fios de urdume, de trama ou os dois previamente tingidos pela técnica tie-dye e os bordados. Nem sempre as influências externas foram positivas para este país. Em 1733, os tecelões indianos se viram seriamente ameaçados pela criação, na Europa, do tear Jacquard. Este tear possibilitava a confecção de tecidos com maior rapidez, preços mais baixos e padronagens elaboradas. Esta última característica possibilitou que em países como França, Noruega e Escócia, o mais famoso produto indiano, o Kashmir fosse copiado. Com o passar do tempo, os tecelões indianos ficaram desempregados e foram obrigados a retornarem para suas vilas no interior, onde passaram a produzir xales com lã grosseira e a criarem (em 1860) o awar mais barato que os xales bordados produzidos anteriomente. Em 1870, as estampas sofreram uma grande mudança passando a apresentar desenhos mais complexos e relacionados com a natureza com pássaros, elefantes e flores. Mesmo com desenhos mais elaborados, os tecidos brocados deixaram de ser utilizados pelos homens indianos que resolveram adotar o uso de roupas mais próximas ao estilo europeu. O brocado, tornou-se um tecido de uso principalmente na confecção de roupas femininas como o sari (tecido drapeado sobre o corpo e atado por uma faixa), muito usado em casamentos. Mesmo com a industrialização, voltada para a exportação, as mulheres indianas continuam até hoje a produzir tecidos em suas casas para prover o sustento de suas famílias. O principal reduto desta produção é o Butão, agora independente da Índia, que por muitos anos (devido as condições climáticas), esteve livre das influências de outras culturas mantendo os padrões tradicionais. A tecelagem doméstica é feita com teares manuais estreitos e por esse motivo, são necessárias várias peças unidas por costura formando um tecido de tamanho grande. É essa técnica que possibilita a combinação de cores e padronagens diversas que torna o produto final original. Chegamos a conclusão de que através do estudo do desenvolvimento dos têxteis na Índia, podemos conhecer um pouco mais de sua cultura; das influências externas de que foram vítimas e de suas condições de vida. Quando seguramos um tecido indiano temos a certeza de que entre nossas mãos há mais que um simples pedaço de pano. Ali está representada uma parte da cultura de um povo que levou centenas de anos para ser formada.
Em Nome de Deus Partindo da observação e análise do filme Em Nome de Deus pretendemos, ao longo deste relato, tecer um paralelo entre o enredo, o figurino e nossos estudos sobre o Período Medieval. A história se passa na França no século XII e tem como personagens principais Abelard, filósofo e professor universitário e Heloise, sobrinha do cônego local, educada em um convento e com conhecimentos filosóficos e linguísticos. Ele, um grande seguidor dos preceitos católicos se vê envolvido por Heloise, uma exceção para as mulheres da época, que além de possuir uma vasta cultura é uma grande contestadora dos dogmas da igreja. Os dois se casam secretamente e tem um filho, frustrando os desejos do tio da moça que desejava um casamento com um nobre. Como castigo pela traição o cônego manda castrar Abelard que reconhece a fatalidade como uma condenação de Deus por suas atitudes e resolve se tornar monge. Heloise, por sugestão de Abelard, também segue a vida religiosa e constrói um convento com sua ajuda. A seguir, analisamos em separado as personagens que julgamos importantes no filme. Abelard: a manutenção da castidade era de extrema importância para sua aproximação de Deus e o bom desenvolvimento de seu trabalho como professor. Já que ensinava sobre as idéias cristãs ele deveria estar o mais perto possível de Deus e a distância dos prazeres carnais contribuía para isso. Quando seu caso com Heloise é descoberto por seus alunos ele perde parte de sua credibilidade e passa a ser ridicularizado por alguns deles, já que havia rompido com um dos dogmas que defendia com maior fervor. Quando é castrado, aceita o fato como um justo castigo pela degradação de seu corpo através do ato sexual. Não é a maldade do cônego que o atinge, mas a fúria de Deus que quer sua dedicação a vida cristã e portanto, não possuí escolha. O melhor a fazer seria sua ordenação como monge. E, afinal, em uma outra vida poderia se redimir de seu pecado, reencontrar Heloise e viver em paz com ela. No que diz respeito a vestimenta, podemos dividir a análise em duas fases: durante a vida leiga: túnica, cinto, borzeguins e a adoção de cabelo comprido quase até os ombros; durante a vida religiosa: túnica, capa, borzeguins e tonsura. Heloise: aparece sempre contestando as idéias da igreja católica e sendo tratada pelo tio como meio de aquisição de riqueza e troca de favores através e de um possível casamento. Com relação as roupas, no convento como aluna: vasquinha cinza elaborada em tecido grosseiro com mangas estreitas, amarração na parte de trás e touca; vida leiga: vasquinhas com mangas amplas de tecidos leves e coloridos, capa com detalhe em pele e cabelos usados soltos e sem véu (possivelmente com a finalidade de expressar liberdade e rebeldia), vida religiosa: manto, gorjal eclesial, túnica externa e borzeguins. Em apenas um momento utiliza uma tiara com pedras preciosas, durante um jantar de cerimônia onde é apresentada a um candidato a marido. O ato de se tornar freira, para ela apenas simboliza respeito aos desejos do marido, sendo levada a isso, por seu amor a ele e não pela aceitação dos ditames da igreja. Não gostava da vida no convento e do uso da roupa religiosa (desconfortável), isso fica bem claro quando Abelard lhe propõe que siga a vida religiosa, e o seu desagrado por ter que voltar a "usar aquelas roupas". Cônego Flubert: usa sua posição na igreja como fonte de poder e facilitadora da venda de falsas relíquias. Utiliza touca e túnicas de cores fortes ricamente bordadas. Sua casa é decorada com muitas peças valiosas e de inspiração religiosa. Após se vingar de Abelard, é banido da igreja e de Paris, perdendo o poder e as riquezas que possui. Bispo Sugen: mesmo achando que Abelard exagera em seus debates sobre assuntos religiosos, o mantém ensinando. Acreditamos que para ele e para a igreja (que estava em franca expansão no meio rural), o mais importante era o poder que Abelard possuía de atrair novos religiosos para o cumprimento desta tarefa. Durante o filme utilizou como vestimenta: túnicas brancas e coloridas, mitra, touca, luvas, anéis, estola e báculo. Empregada: usa vasquinha, avental e cabelo preso. Quando descobre seu envolvimento com Abelard chantageia Heloise em troca de um vestido. Isso deixa bem claro que as roupas de tecidos e cortes mais elaborados eram privilégio dos nobres ou de pessoas ligadas ao clero e como eram raridade, possuíam um grande valor. Cavaleiros: roupas em tons de cinza e preto enfeitadas com uma cruz no peito. Servos: usavam detalhes na cor púrpura em suas vestimentas. Em resumo, podemos ver que as crenças na igreja e o temor por Deus eram mais fortes e importantes para Abelard que seu amor por Heloise. Até o último momento ele acreditou que seu sofrimento seria compensado pelo encontro com a esposa e uma vida melhor após a morte. Os nobres raramente possuíam um nível de educação como o adquirido nos conventos, isso se fez notar no momento em que Heloise foi apresentada a um candidato a marido de modos rudes. A igreja não se importava com o escândalo ou com a posição desconfortável de Heloise, o mais importante era a permanência de Abelard na igreja e o seu trabalho de preparação de novos religiosos. Isso é bastante evidenciado pelo castigo dado ao cônego. O figurino, demonstra como pelas vestimentas da época se diferenciavam as classes sociais e a posição hierárquica entre os clérigos e as pessoas comuns. Mesmo havendo esta diferenciação o conceito de moda não existia, pois mesmo diferenciadas as roupas permaneciam as mesmas durante anos. O homem era estimulado a individualidade, mas não a escolha e a criação de algo novo. Tudo deveria permanecer como a ordem divina havia determinado.
Hippies,
Punks e Clubbers Quando
surgiram, os hippies foram muito criticados pela forma como se vestiam e pelas
idéias que defendiam. Eram pacifistas e seguidores de religiões orientais que
protestavam contra a corrida armamentista, entre Estados Unidos e União Soviética, e ao
consumismo desenfreado. Seus maiores símbolos são a flor e a frase "Paz e
Amor". 1.1 Origem e idéias Por volta de 1968 em um
mundo onde a Guerra Fria, o consumismo, e a competição imperavam, surge o movimento hippie.
Mas foi durante a Guerra do Vietnã que esta tribo conseguiu maior destaque e adesão de
pessoas. 1.2 Roupas
As roupas hippies eram inconfundíveis, minimalistas e naturais
apresentavam uma forte influência indiana. 1.3 Cabelos, maquiagem, sapatos e acessórios
Os homens, refletindo rejeição a aparência burguesa, usavam cabelos
compridos despenteados, e barbas longas. Os punks representam tribo
que sobrevive apesar da passagem do tempo e da grande rejeição da sociedade. 2.1 Origem e idéias A Inglaterra é a terra mãe dos punks
que nasceram em 1977, na cidade de Birmingham. Em meio a uma grave crise econômica e do
desemprego atingindo números assustadores, jovens desempregados e estudantes fãs da
Banda Sex Pistols começaram a se reunir.
Conseguiram maior destaque nos anos oitenta. 2.2 Roupas
A roupa punk é muito chamativa e se difere pouco entre homens e
mulheres, a não ser pelo uso de saias curtas e rasgadas e de sutiãs aparentes por essas
últimas. Em geral o que se observou foi a predominância das camisetas, das calças
rasgadas e das jaquetas. 2.3 Cabelos, maquiagem, sapatos e acessórios
Tão extravagantes quanto a roupas, os penteados e acessórios punks
chamavam bastante atenção.
Clubbers 3.1 Origem e idéias Os clubbers foram descobertos por
Jean-Paul Gautier nas boates de Londres e em pouco tempo se tornaram a grande sensação
dos anos noventa. 3.2 Roupas As roupas clubber são uma
mistura de peças de grifes caras, com outras de brechós ou de lojas populares. Esta
mistura de peças de diferentes épocas é que dá o toque extravagante a composição do
visual. 3.3 Cabelos, maquiagem, sapatos e acessórios As formas dos cabelos clubber
sofrem variações, podem ser usados apliques de tranças rastafari, cabelos cortados bem
curtos e arrepiados, com trancinhas presas por presilhas infantis ou tingidos com cores
fortes e chamativas; tudo é valido para formar um penteado elaborado e exótico. Alguns clubbers
chegam a ficar horas arrumando os cabelos em frente ao espelho. Referências Bibliográficas CAMPELLO, Rachel. A tribo da noite. Veja, São Paulo: Abril, p.
80-83, O hábito fala pelo monge ECO, Umberto et alii. Psicologia do vestir. Lisboa: Assirio e Alvin, 1989 |