Moda

Como começou?
    A
moda é um fenômeno recente. Surgiu no século XIV, junto com a divisão da sociedade em classes e o aparecimento da economia de mercado.
     Mas, você me perguntaria: a moda não surgiu junto com o traje? Não. O uso de peles pelos homens primitivos ou de túnicas pelos romanos não caracteriza moda. Mesmo quando as sociedades antigas incluíam adereços as suas vestimentas não estavam criando moda. Pois a essência do traje permanecia a mesma por décadas e séculos.
     Só na idade média, com a produção de excedentes e o acúmulo de riqueza por alguns trabalhadores (burgueses), nas cortes é que observamos o fenômeno moda.? Ela nasce do desejo dos burgueses de se parecerem com a nobreza que freqüenta a corte, e de seguir as novas maneiras de se portar e vestir que aparecem com o passar do tempo e a mudança de gosto do Rei.

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Conceito
     Existem muitas conceituações para o fenômeno moda. Selecionei alguns deles:

     "É um sistema de renovação permanente das maneiras de se vestir e de se comportar." (Glória Kalil)

     "Moda é um mecanismo gigantesco na qual todos poderão tirar  partido das bases industriais  e das mais loucas criações." (Jean Paul Gautier)

     "Um dispositivo social caracterizado por uma temporalidade particularmente breve, por reviravoltas mais ou menos fantasiosas, podendo por isso, afetar esferas muito diversas da vida coletiva." (Lypovetski)

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A Produção Têxtil na Índia
Artigo para a disciplina: Tecnologia dos Têxteis

     A Índia, situada no centro-sul da Ásia, é o maior produtor mundial de algodão e juta. É um país pobre, fruto de uma sociedade dividida em castas cuja maioria da população se dedica a agricultura de subsistência.

     Quando ouvimos falar na Índia, nos vem a mente três pontos de destaque de sua cultura: a pobreza, a religião e a beleza dos tecidos que produz. É sobre os tecidos indianos que iremos falar aqui. Na forma de sari (traje de feminino) os têxteis indianos são tidos como a maior expressão artística indiana. Além de arte, podemos ver um pouco da religião nas estampas e da contraposição a pobreza, de cerca de 70% da população, na mistura de fios de ouro e prata na composição dos tecidos.

     Este país é conhecido pela sua capacidade de absorver influências externas e a tecelagem é um grande exemplo disto. Sofreu grandes modificações ao longo do tempo através dos contatos comerciais com outros países da Ásia e da Europa também.

      Uma importante inovação, na área têxtil, foi inspirada pelo imperador Akbar que durante os anos em que ficou exilado na Pérsia (1540-1555), devido a invasão tibetana, conheceu a seda e formas mais práticas de produção. Retornando a Índia, Akbar fundou as oficinas imperiais que além de produzirem tecidos, funcionavam como escolas para o aperfeiçoamento de tecelões e fornecedoras de matérias-primas para as diversas cidades indianas. Estas oficinas tinham como professores mestres artesãos persas que dominavam a técnica da produção de tecidos com fios de seda.

      Os tecidos que mais se destacam são os brocados com fios de ouro e prata; os ikat, elaborados com fios de urdume, de trama ou os dois previamente tingidos pela técnica tie-dye e os bordados.

      Nem sempre as influências externas foram positivas para este país. Em 1733, os tecelões indianos se viram seriamente ameaçados pela criação, na Europa, do tear Jacquard. Este tear possibilitava a confecção de tecidos com maior rapidez, preços mais baixos e padronagens elaboradas. Esta última característica possibilitou que em países como França, Noruega e Escócia, o mais famoso produto indiano, o Kashmir fosse copiado. Com o passar do tempo, os tecelões indianos ficaram desempregados e foram obrigados a retornarem para suas vilas no interior, onde passaram a produzir xales com lã grosseira e a criarem (em 1860) o awar mais barato que os xales bordados produzidos anteriomente. Em 1870, as estampas sofreram uma grande mudança passando a apresentar desenhos mais complexos e relacionados com a natureza com pássaros, elefantes e flores. Mesmo com desenhos mais elaborados, os tecidos brocados deixaram de ser utilizados pelos homens indianos que resolveram adotar o uso de roupas mais próximas ao estilo europeu. O brocado, tornou-se um tecido de uso principalmente na confecção de roupas femininas como o sari (tecido drapeado sobre o corpo e atado por uma faixa), muito usado em casamentos.

      Mesmo com a industrialização, voltada para a exportação, as mulheres indianas continuam até hoje a produzir tecidos em suas casas para prover o sustento de suas famílias. O principal reduto desta produção é o Butão, agora independente da Índia, que por muitos anos (devido as condições climáticas), esteve livre das influências de outras culturas mantendo os padrões tradicionais.

      A tecelagem doméstica é feita com teares manuais estreitos e por esse motivo, são necessárias várias peças unidas por costura formando um tecido de tamanho grande. É essa técnica que possibilita a combinação de cores e padronagens diversas que torna o produto final original.

      Chegamos a conclusão de que através do estudo do desenvolvimento dos têxteis na Índia, podemos conhecer um pouco mais de sua cultura; das influências externas de que foram vítimas e de suas condições de vida. Quando seguramos um tecido indiano temos a certeza de que entre nossas mãos há mais que um simples pedaço de pano. Ali está representada uma parte da cultura de um povo que levou centenas de anos para ser formada.

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Em Nome de Deus
Análise do fime, para a disciplina: História da Moda I

      Partindo da observação e análise do filme Em Nome de Deus pretendemos, ao longo deste relato, tecer um paralelo entre o enredo, o figurino e nossos estudos sobre o Período Medieval.

      A história se passa na França no século XII e tem como personagens principais Abelard, filósofo e professor universitário e Heloise, sobrinha do cônego local, educada em um convento e com conhecimentos filosóficos e linguísticos. Ele, um grande seguidor dos preceitos católicos se vê envolvido por Heloise, uma exceção para as mulheres da época, que além de possuir uma vasta cultura é uma grande contestadora dos dogmas da igreja. Os dois se casam secretamente e tem um filho, frustrando os desejos do tio da moça que desejava um casamento com um nobre. Como castigo pela traição o cônego manda castrar Abelard que reconhece a fatalidade como uma condenação de Deus por suas atitudes e resolve se tornar monge. Heloise, por sugestão de Abelard, também segue a vida religiosa e constrói um convento com sua ajuda.

      A seguir, analisamos em separado as personagens que julgamos importantes no filme.

     Abelard: a manutenção da castidade era de extrema importância para sua aproximação de Deus e o bom desenvolvimento de seu trabalho como professor. Já que ensinava sobre as idéias cristãs ele deveria estar o mais perto possível de Deus e a distância dos prazeres carnais contribuía para isso. Quando seu caso com Heloise é descoberto por seus alunos ele perde parte de sua credibilidade e passa a ser ridicularizado por alguns deles, já que havia rompido com um dos dogmas que defendia com maior fervor. Quando é castrado, aceita o fato como um justo castigo pela degradação de seu corpo através do ato sexual. Não é a maldade do cônego que o atinge, mas a fúria de Deus que quer sua dedicação a vida cristã e portanto, não possuí escolha. O melhor a fazer seria sua ordenação como monge. E, afinal, em uma outra vida poderia se redimir de seu pecado, reencontrar Heloise e viver em paz com ela. No que diz respeito a vestimenta, podemos dividir a análise em duas fases: durante a vida leiga: túnica, cinto, borzeguins e a adoção de cabelo comprido quase até os ombros; durante a vida religiosa: túnica, capa, borzeguins e tonsura.

       Heloise: aparece sempre contestando as idéias da igreja católica e sendo tratada pelo tio como meio de aquisição de riqueza e troca de favores através e de um possível casamento. Com relação as roupas, no convento como aluna: vasquinha cinza elaborada em tecido grosseiro com mangas estreitas, amarração na parte de trás e touca; vida leiga: vasquinhas com mangas amplas de tecidos leves e coloridos, capa com detalhe em pele e cabelos usados soltos e sem véu (possivelmente com a finalidade de expressar liberdade e rebeldia), vida religiosa: manto, gorjal eclesial, túnica externa e borzeguins. Em apenas um momento utiliza uma tiara com pedras preciosas, durante um jantar de cerimônia onde é apresentada a um candidato a marido. O ato de se tornar freira, para ela apenas simboliza respeito aos desejos do marido, sendo levada a isso, por seu amor a ele e não pela aceitação dos ditames da igreja. Não gostava da vida no convento e do uso da roupa religiosa (desconfortável), isso fica bem claro quando Abelard lhe propõe que siga a vida religiosa, e o seu desagrado por ter que voltar a "usar aquelas roupas".

       Cônego Flubert: usa sua posição na igreja como fonte de poder e facilitadora da venda de falsas relíquias. Utiliza touca e túnicas de cores fortes ricamente bordadas. Sua casa é decorada com muitas peças valiosas e de inspiração religiosa. Após se vingar de Abelard, é banido da igreja e de Paris, perdendo o poder e as riquezas que possui.

        Bispo Sugen: mesmo achando que Abelard exagera em seus debates sobre assuntos religiosos, o mantém ensinando. Acreditamos que para ele e para a igreja (que estava em franca expansão no meio rural), o mais importante era o poder que Abelard possuía de atrair novos religiosos para o cumprimento desta tarefa. Durante o filme utilizou como vestimenta: túnicas brancas e coloridas, mitra, touca, luvas, anéis, estola e báculo.

      Empregada: usa vasquinha, avental e cabelo preso. Quando descobre seu envolvimento com Abelard chantageia Heloise em troca de um vestido. Isso deixa bem claro que as roupas de tecidos e cortes mais elaborados eram privilégio dos nobres ou de pessoas ligadas ao clero e como eram raridade, possuíam um grande valor.

       Cavaleiros: roupas em tons de cinza e preto enfeitadas com uma cruz no peito.

       Servos: usavam detalhes na cor púrpura em suas vestimentas.

       Em resumo, podemos ver que as crenças na igreja e o temor por Deus eram mais fortes e importantes para Abelard que seu amor por Heloise. Até o último momento ele acreditou que seu sofrimento seria compensado pelo encontro com a esposa e uma vida melhor após a morte. Os nobres raramente possuíam um nível de educação como o adquirido nos conventos, isso se fez notar no momento em que Heloise foi apresentada a um candidato a marido de modos rudes. A igreja não se importava com o escândalo ou com a posição desconfortável de Heloise, o mais importante era a permanência de Abelard na igreja e o seu trabalho de preparação de novos religiosos. Isso é bastante evidenciado pelo castigo dado ao cônego. O figurino, demonstra como pelas vestimentas da época se diferenciavam as classes sociais e a posição hierárquica entre os clérigos e as pessoas comuns. Mesmo havendo esta diferenciação o conceito de moda não existia, pois mesmo diferenciadas as roupas permaneciam as mesmas durante anos. O homem era estimulado a individualidade, mas não a escolha e a criação de algo novo. Tudo deveria permanecer como a ordem divina havia determinado.

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Hippies, Punks e Clubbers
Como eles se vestem?
Trabalho, para a disciplina: Metodologia

Hippies

     Quando surgiram, os hippies foram muito criticados pela forma como se vestiam e pelas idéias que defendiam. Eram pacifistas e seguidores de religiões orientais que protestavam contra a corrida armamentista, entre Estados Unidos e União Soviética, e ao consumismo desenfreado. Seus maiores símbolos são a flor e a frase "Paz e Amor".
       No final dos anos setenta, tiveram alguns aspectos de seus trajes incorporados à moda vendida nas lojas mais sofisticadas. O estilo hippie passou a ser chic com roupas confeccionadas em tecidos caros trazendo etiquetas com nomes de estilistas importantes.

1.1 Origem e idéias

      Por volta de 1968 em um mundo onde a Guerra Fria, o consumismo, e a competição imperavam, surge o movimento hippie. Mas foi durante a Guerra do Vietnã que esta tribo conseguiu maior destaque e adesão de pessoas.
      Um dos lemas era o conhecido "Faça amor não faça guerra". Os hippies não aceitavam o envio de jovens americanos para lutarem em um país estrangeiro (Vietnã) que não tinha nada a ver com eles pois estava passando por um conflito interno. Para eles, a guerra apenas consumia dinheiro público e vidas humanas.
       A paz, não era o único objetivo, os hippies se voltavam a natureza, ao culto o corpo, ao uso de drogas e as religiões orientais. Estas últimas, ressaltavam a vida espiritual e não material e portanto eram utilizadas como forma de contestação ao consumismo.
       Trinta anos depois, o estilo hippie volta a moda sob o nome de hippie chic ou new hippie. Despido de ideologias e com formas atenuadas, é seguido principalmente pelas mulheres.

1.2 Roupas

      As roupas hippies eram inconfundíveis, minimalistas e naturais apresentavam uma forte influência indiana.
      O homem vestia calça com boca sino de proporções exageradas, túnica simples de algodão crú, lenços compridos amarrados ao pescoço e camisas com colarinhos de pontas muito compridos avançando sobre casacos de brocado ou veludo com estampas florais.
      A mulher vestia bata, roupa indiana, vestido tipo camponesa, saia e casaco de patchwork, saia longa e rodada com babados que muitas vezes arrastava pelo chão.
      Tanto homens como mulheres utilizavam calças bordadas com desenhos de flores.
      Os tecidos mais utilizados para a execução das roupas acima descritas eram: o algodão crú, o crepom (anarruga, jeans, bandagem, chifon de algodão), veludo e brocado. A estampas preferidas eram as florais, os desenhos psicodélicos, e batiks todos muito coloridos. Os bordados com miçangas e espelhos também eram muito utilizados.

1.3 Cabelos, maquiagem, sapatos e acessórios

      Os homens, refletindo rejeição a aparência burguesa, usavam cabelos compridos despenteados, e barbas longas.
      As mulheres, cultivavam uma aparência bastante natural com cabelos longos, soltos, encaracolados, despenteados e em algumas vezes enfeitados com flores.
      Assim como os sapatos de couro, os acessórios mais utilizados eram artesanais. Os cintos e as bolsas eram de couro crú, as bijuterias de miçangas combinadas com prata e latão, as faixas para a cintura e cabeça eram de lã tecidas em tear manual com padronagens mexicanas e peruanas.

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Punks

       Os punks representam tribo que sobrevive apesar da passagem do tempo e da grande rejeição da sociedade.
       Existem muitas ramificações punk, principalmente na Europa e Estados Unidos.

2.1 Origem e idéias

      A Inglaterra é a terra mãe dos punks que nasceram em 1977, na cidade de Birmingham. Em meio a uma grave crise econômica e do desemprego atingindo números assustadores, jovens desempregados e estudantes fãs da Banda Sex Pistols começaram a se reunir.          Conseguiram maior destaque nos anos oitenta.
      Expressando toda a sua revolta contra a sociedade e a idéia de que não havia futuro, substituíram o "paz e amor" dos hippies pela raiva e os protestos violentos.
      O estilo punk tinha a finalidade de afrontar e amedrontar as pessoas que seguiam os padrões morais e estéticos aceitos pela sociedade.
      Entre os estilistas que sofreram influência do estilo punk, que chamado por alguns estudiosos de anti-moda, destacamos Giani Verssace.

2.2 Roupas

      A roupa punk é muito chamativa e se difere pouco entre homens e mulheres, a não ser pelo uso de saias curtas e rasgadas e de sutiãs aparentes por essas últimas. Em geral o que se observou foi a predominância das camisetas, das calças rasgadas e das jaquetas.
      As camisetas, em geral, traziam slogans e desenhos pintados grosseiramente à caneta ou à pincel, e em algumas vezes apresentavam partes rasgadas. As calças, assim como as camisetas, eram de tecidos rasgados ou de couro enfeitado com detalhes de metal. A cor predominante era o preto que aparecia combinado com as cores laranja e cor-de-rosa. Peças de uniformes militares também compunham o visual punk.
A presença constante do couro no traje punk, é interpretada como um símbolo fetichista de sadomasoquismo.

2.3 Cabelos, maquiagem, sapatos e acessórios

       Tão extravagantes quanto a roupas, os penteados e acessórios punks chamavam bastante atenção.
        Os homens e as mulheres raspavam as nas laterais do cabelo e o restante era arrepiado com gel e tingido com cores vibrantes como o vermelho, verde, roxo e amarelo. Este estilo de cabelo fazia alusão ao usado pela tribo apache, dizimada pelos colonizadores dos Estados Unidos. Algumas facções punk optam pela raspagem de todo o cabelo e a tatuagem de símbolos, principalmente nazistas, no couro cabeludo. Esta pratica é adotada por homens e mulheres.
       Os homens e especialmente as mulheres, maquiavam o rosto com para que ficasse branco e contornavam os olhos de preto. Também tatuavam o corpo com figuras indígenas.
       Alfinetes de segurança eram usados como brincos (nas orelhas e nariz) ou enfeites de roupas. Pregos, tachinhas, cravos e espinhos de metal eram utilizados como enfeites de roupas e de pulseiras de couro. Correntes amarravam uma perna a outra ou eram colocadas em volta do pescoço. Penduradas nas correntes, haviam símbolos nazistas e peças de eletrodomésticos.

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Clubbers
      Não possuem ideologia mas fazem parte da tribo mais descontraída das três pesquisadas.

3.1 Origem e idéias

      Os clubbers foram descobertos por Jean-Paul Gautier nas boates de Londres e em pouco tempo se tornaram a grande sensação dos anos noventa.
      São pessoas com idades que variam dos 18 aos 30 anos, de classe média e na maioria estudantes. Seus principais objetivos são chamar atenção e dançar muitas horas seguidas em festas movidas ao som de música eletrônica (tecno) em ritmo alucinado. Sua busca espiritual está baseada no uso de drogas com o ecstasy e o LSD.
     Alguns dos acessórios e das combinações de roupas que utilizam já fazem parte da moda adotada pelos adolescentes.

3.2 Roupas

      As roupas clubber são uma mistura de peças de grifes caras, com outras de brechós ou de lojas populares. Esta mistura de peças de diferentes épocas é que dá o toque extravagante a composição do visual.
      As cores que imperam são o cor-de-rosa e o verde fluorescente. Os clubbers foram os primeiros a utilizarem as calças cargo que hoje estão perfeitamente incorporadas a moda.

3.3 Cabelos, maquiagem, sapatos e acessórios

      As formas dos cabelos clubber sofrem variações, podem ser usados apliques de tranças rastafari, cabelos cortados bem curtos e arrepiados, com trancinhas presas por presilhas infantis ou tingidos com cores fortes e chamativas; tudo é valido para formar um penteado elaborado e exótico. Alguns clubbers chegam a ficar horas arrumando os cabelos em frente ao espelho.
      A maquiagem brilhante (glitter) já entrou na moda jovem chegando a ser utilizada pelas chamadas "patricinhas", que seguem um estilo oposto a clubber.
      O clubber ostenta várias tatuagens, diferentes dos punks que utilizavam a figura do indígena, os motivos são estilizados, alguns se significado especial e aparecem na forma de braceletes ou nas costas, abaixo da linha da cintura. Além das tatuagens, o piercing também faz parte da ornamentação clubber , demonstra uma evolução dos alfinetes usados pelos punks. São colocados, geralmente, no rosto (língua, nariz e supercílio) ou no umbigo.
      Quanto aos sapatos, é dada preferência aos tênis com plataformas muito altas e cores vibrantes. O uso de sandálias com meias e botas militares também são usadas.
      As bolsas são substituídas por mochilas e lancheiras inicialmente fabricadas para o uso do público infantil. O que simboliza o medo que estas pessoas tem de crescer.
      As bijuterias são usadas em grande quantidade.

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Referências Bibliográficas

CAMPELLO, Rachel. A tribo da noite. Veja, São Paulo: Abril, p. 80-83,
          31 de mar. 1999
DÓRIA, Márcia. Curso integrado de moda. São Paulo: Escola de Moda
         Profissional. Apostila 09, p. 43, 46, 50.
______________Curso integrado de moda. São Paulo: Escola de Moda
         Profissional. Apostila 11, p. 09- 11.
LAVER, James. A roupa e a moda: uma história concisa. São Paulo:
        Companhia das Letras, 1989. p. 268-269.
O'HARA, Georgina. Enciclopédia da moda. São Paulo: Companhia das
          Letras, 1992. p. 141, 233.
PEREIRA, Carlos Alberto M. O que é contracultura? São Paulo:
        Brasiliense, 1992. p. 73-74.
PEREIRA, Inês. Na trilha das tribos. Modamoldes, Rio de Janeiro: Globo,
        ano 8, nº 89, p. 116-117, nov. 93.
REMAURY, Bruno. Dictonaire de la mode au xxe siecle. Paris: Du
         Regard, 1996. p. 253.
STEELE, Valerie. Fetichismo: moda, sexo e poder. Rio de Janeiro:
        Rocco, 1997. p. 42, 144.
VICENT-RICARD, Françoise. As espirais da moda. Rio de Janeiro:
        Paz e Terra, 1989. p. 151.
WILSON, Elizabeth. Enfeitada de sonhos. Lisboa: Edições 70, 1989. p.
        257-265.

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O hábito fala pelo monge
Resenha Crítica , para a disciplina: Sociologia da Moda

ECO, Umberto et alii. Psicologia do vestir. Lisboa: Assirio e Alvin,  1989
         p.7-20

      Umberto Eco é escritor, crítico e professor de semiótica. Nascido no Piemonte, é tido como um representante notável da nova narrativa italiana e muito respeitado por seus estudos sobre os fenômenos de comunicação ligados a cultura de massa.
      No texto O Hábito Fala Pelo Monge, que faz parte do livro Psicologia do Vestir, o autor apresenta os vários aspectos da comunicação e como a semiótica os interpreta.
      Cinqüenta por cento das roupas que vestimos é usado para cobrir o corpo, o restante é utilizado como instrumento de comunicação não verbal. A comunicação não verbal só é interpretada e entendida de forma satisfatória segundo os códigos do grupo, em que o indivíduo que a emprega, está inserido. Dependendo do lugar e da etnia até mesmo a distância mantida entre duas pessoas pode ser interpretada de forma agressiva ou calorosa.
      O semiólogo interpreta os objetos funcionais também como sinais. Esta visão, muitas vezes se sobrepõe a finalidade prática para a qual o objeto foi criado passando-se a penas a vê-lo como símbolo. Isso é o que acontece com a moda. Como exemplo, é dada a transformação da utilização da pele de animais. Em eras primitivas, a pele era utilizada como fator de proteção do corpo e atualmente mais que proteger ela representa o status social de quem a utiliza.
      Assim como a linguagem o vestuário, salvo os uniformes, não segue padrões muito rígidos. As pessoas civis podem promover variações na utilização de roupas da moda. As convenções sociais não perdoam atitudes tidas como exageradas ou que firam os padrões seguidos por certos grupos chegando a punir quem as transgrida com o desprezo ou a demissão de um empregado.
      Além de transmitir idéias, o vestuário pode ser utilizado para chamar atenção ou influenciar outras pessoas.
      Dependendo da época e do contexto em que o indivíduo está inserido, a utilização de certo vestuário pode possuir um significado diferente. O que em um dado momento é considerado subversivo em outro pode ser visto apenas como um aspecto de moda.
      Em poucas palavras, pode-se dizer "que existem códigos de vestuário." Apesar das rápidas mudanças por que passam, estes códigos são dados a mais e muito importantes para o estudo da sociedade.
      Pude observar que assim como Alisson Lurie em seu livro A linguagem das Roupas, Umberto Eco traça uma relação entre a linguagem verbal e a linguagem simbólica do vestuário. Segundo os dois autores, o indivíduo pode se utilizar do vestuário como um idioma paralelo. Mesmo passando por mudança variadas e rápidas, muitas vezes exprime idéias com maior consistência e força que um discurso verbal.

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