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A raiva, como uma doença de cães, é conhecida a mais de 2.000 anos. Demócrito e Aristóteles observaram que os cachorros mordidos por cachorros loucos se tornavam, eles também, loucos. Galen (200 AC) reconheceu a importância de se extirpar ou cauterizar os ferimentos das mordidas de cachorros loucos. No início do ano de 1271, a raiva prevalecia nos lobos da Europa ocidental e a primeira epidemia que teria assolado o cão doméstico foi registrada na Itália em 1708. Nos Estados Unidos, a raiva surgiu no estado da Virgínia em 1753 e na Carolina do Norte, em 1762.
A raiva canina se espalha pelo país, sendo diagnosticada especialmente em raposas e gambás. Embora fosse do conhecimento geral que um animal raivoso pudesse infectar um animal saudável, somente em 1804 aconteceu a descoberta da saliva como agente transmissor.
Apesar dos animais selvagens e morcegos, na grande maioria
dos casos a raiva é transmitida por um cão infectado. Sua
saliva contém partículas de vírus que se infiltram
nos tecidos dos animais, naturalmente susceptíveis à doença.
Uma vez dentro da vítima, a partir da mordida, o vírus da
raiva se espalha ao longo dos nervos para o sistema nervoso central, espinha
e cérebro.
Um cão raivoso é um quadro constrangedor,
triste. Se um cachorro é mordido por outro portador da raiva, ele
pode perfeitamente não ser contaminado. Contudo, se ele foi infectado
e a doença se acha em desenvolvimento, o cão não mostrará
nenhum sinal se contaminação, senão depois de um mínimo
de 12 dias, até 15 ou 25 (período de incubação).
O período de incubação tende a ser maior nos cães
adultos que, geralmente, são mais resistentes a infecção.
Os primeiros sinais se revelam no comportamento. Os animais infectados
se tornam agressivos; outros, antes corajosos, audaciosos, se tornam tímidos.
A maioria deles se torna impaciente, ressentida, reprimida e pode ladrar
ou uivar ameaçadoramente. Nessa condição, produz ainda
saliva em profusão. Esse período de indisposição
que antecede à doença - prodomal - como é chamado,
dura de três a 36 horas. Depois desse tempo os sintomas da raiva
se tornam mais aparentes e pode acontecer então a raiva furiosa.
O cão não reconhece seu dono e , se solto, pode correr grandes
distâncias mordendo tudo que lhe aparecer à frente. Quando
confinado, o cão doente masca qualquer objeto e saliva profusamente.
Seu latido se torna estranho porque suas cordas vocais ficam paralisadas.
Quase sempre ele não bebe nem come, embora tente fazê-lo.
O cão se torna imóvel e a morte acontece usualmente em três
ou quatro dias. Entretanto, muitos cães não se tornam furiosos
ou têm, no máximo, um breve período de excitamento.
Em 6 de julho de 1885, Joseph Meister, um garoto de nove
anos, mordido por um cão raivoso, foi levado a Louis Pasteur. Ele
começou uma série de inoculações na criança
com o material que havia desenvolvido em coelhos para proteger cães.
O garoto, que sobreviveu, iniciou uma nova era de esperança às
vítimas de cães raivosos. Até aquele momento, às
pessoas mordidas por cachorros raivosos restava esperar e orar para que
não tivessem contraído o mal. Agora, elas podiam ser imunizadas,
desenvolvendo anticorpos antes do aparecimento de qualquer sintoma da doença.
Hoje, ainda são as vacinas o melhor meio de evitar
a raiva em cães e, circunstancialmente, em seres humanos. Uma vez
vacinado, o cão terá anticorpos no sangue que impedirão
a penetração do vírus no caso de mordidas. A assistência
Americana de Saúde Pública recomenda que cães não
vacinados e que foram mordidos por um animal raivoso sejam mortos imediatamente.
Se o cão mordido tiver sido vacinado, então ele será
imediatamente revacinado e confinado pelo espaço mínimo de
30 dias. O recado é obvio: mantenha seu cão com a vacinação
em dia.
PREVENIR: A RECEITA DA PRUDÊNCIA
Mais voltemos ao ponto mais importante desta questão, a raiva: o melhor caminho para prevenir o sofrimento do proprietário e a morte horrível de seu melhor amigo é imunizá-lo no terceiro mês de vida e mantê-lo vacinado nos intervalos recomendados. Como responsável, o dono deve agir assim pelo seu próprio bem, pelo bem dos que o cercam e pela saúde do animal. Os cães mordem, habitualmente, milhares de pessoas por esse Brasil afora (carteiros por exemplo).
Por isso é importante zelar por sua saúde em busca de uma convivência feliz com a família e paz com a comunidade.
