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Preciso
não dormir até se consumar o tempo da gente.
Preciso conduzir
Com o tempo de te amar,
te amando devagar e urgentemente
Pretendo descobrir, no
ultimo momento
O tempo que refaz o que
desfez
E recolhe todo
sentimento, e guarda no corpo uma outra vez
Prometo te querer, até o
amor cair doente, doente
Prefiro então partir, a
tempo de poder.. a gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder, te
encontro com certeza, talvez com o tempo da delicadeza
Onde não diremos nada,
nada aconteceu
Apenas seguirei como
encantado ao lado
teu
Chico Buarque
Te perdoo por fazeres
mil perguntas.. que em vidas que andam juntas ninguém faz.
Te perdoo por pedires perdão,
por me amares demais.
Te perdoo, te perdoo por
ligares p'ra todos os lugares de onde eu vim.
Te perdoo por ergueres a
mão, por bateres em mim.
Te perdoo quando anseio
pelo instante de sair e rodar exuberante e me perder de ti.
Te perdoo por quereres me
ver aprendendo a mentir.
Te perdoo por contares
minhas horas nas minhas demoras por aí.
Te perdoo, te perdoo porque
choras quando eu choro de rir.
Te perdoo por te
trair.
Chico Buarque
Sozinha observo
melhor as cores.
Os excessos, os afetos
que me faltam ou me afetam.
Sem ninguém por perto,
meus olhos ficam mais abertos,
imersos num vazio
recheado de detalhes doces.
Longe das cortes, sento
no meio fio dos meus pensamentos,
na beira do que eu
invento e aproveito o lado bom da
solidão.
Zelia Duncan
O amor é muitas coisas,
mas muitas ele não é. O amor não envergonha. O amor não pune.
O amor não se vangloria,
critica, degrada ou diminui. Às vezes pensamos que estamos
repletos de amor, mas egoisticamente atendemos nossas necessidades antes da do
outro. Contudo, quando expressamos verdadeiramente nosso amor por alguém,
não há como não reconhecer o calor agradável que nos invade.
Como é simples ser um
doador do amor! Mas como nos esquecemos disso quando as
oportunidades surgem...
( Autor desconhecido )
CANÇÃO DA MIRADA SECRETA
Foram-se os amores que tive
Ou me tiveram. Partiram
Num cortejo silencioso e iluminado.
A solidão me ensina
A não acreditar na morte
Nem demais na vida: cultivo
Segredos num jardim
Onde estamos eu, os sonhos idos,
Os velhos amores e os seus recados,
E os olhos deles que ainda brilham
Como pedras de cor entre as raízes. LYA LUFT
"Não és bom, nem és
mau: és triste e humano...
Vives ansiando, em
maldições e preces,
Como se a arder no coração
tivesses
O tumulto e o clamor de um
largo oceano.
Pobre, no bem como no mal
padeces;
E rolando num vórtice
insano,
Oscilas entre a crença e o
desengano,
Entre esperanças e
desinteresses.
Capaz de horrores e de
ações sublimes,
Não ficas com as virtudes
satisfeito,
Nem te arrependes, infeliz,
dos crimes:
E no perpétuo ideal que te
devora,
Residem juntamente no teu
peito
Um demônio que ruge e um
deus que chora."
Olavo Bilac
Quando olhaste bem
nos olhos meus e teu olhar era de adeus, juro que não acreditei, eu te
estranhei, me debrucei sobre o teu corpo e duvidei... e me arrastei e te
arranhei e me agarrei nos teus cabelos, nos teus pêlos, teu pijama, nos teus
pés ao pé da cama, sem carinho sem coberta, no tapete ao atrás da porta,
reclamei baixinho... dei pra maldizer o nosso lar, pra sujar teu nome, te
humilhar e me vingar a qualquer preço, te adorando pelo avesso,... pra mostrar
que ainda sou tua, só pra provar que ainda sou tua.
Chico Buarque
Você apareceu do nada e você mexeu demais comigo. Não quero ser só mais um amigo... você nunca me viu sozinho e você nunca me ouviu chorar. Não dá pra imaginar quando é cedo ou tarde demais pra dizer adeus pra dizer jamais. As vezes fico assim pensando, essa distância é tão ruim. Por que você não vem pra mim ? Eu já fiquei tão mal, sozinho... Eu já tentei, eu quis chamar. Não dá pra imaginar quando é cedo ou tarde demais, pra dizer adeus pra dizer jamais. Tony Bellotto
Espera
Entrelaçadas em noite de
mágicos acontecimentos
Esquecidas de dores que
viriam
Mergulhadas na trégua do
isolamento breve
Não tivemos a lua que agora
povoa
O espelho aquoso
Que logo mais gravaremos
nas retinas
Já marcadas por lágrimas
necessárias
Verbos não resumirão fatos
de natureza tão intensa,
idéias não resolveram nossos medos e mágoas
mas abraços nos darão a
força necessária ao
passo. Aretha F. keinezeit@zipmail.com.br
(Em fevereiro)
À noite o rio se agita
acariciando as pedras no ritmo do vento
levando à penumbra ruídos
invernais que aplacam o calor dos olhos.
Penso em ter asas, sonho
alcançar a calma, mas debato-me como as águas do rio.
Construo idéias sem
métrica, sem rima, sem cor definida
Tento te dizer coisas
que sequer eu conheço totalmente...
Desejo mostrar-me a ti,
vagamente isso me
assusta. Aretha F. keinezeit@zipmail.com.br
Inquietação,
desejo de inventar um
emaranhado de palavras que me possa salvar.
Vontade de desemaranhar
essas palavras que ainda nem nasceram em minha consciência.
Mas isso seria adiantar-me
ao sonho. Seria evitar um trecho...
Economizar um passo...
Primeiro me perderei no emaranhado...
Emaranhada estarei nas
minhas próprias veias, idéias e medos.
Amalgamada às confusões que
cresceram a meu redor e em meu centro escuro.
Vagando e cometendo erros;
perguntando aos erros e neles escorando-me.
Evitando erros e deles
afastando-me
E há a fraqueza que corrói
as buscas
E preciso de escoras
algumas vezes
Isto resume este início de
noite
À espera de tua virtual
presença...
Aretha F. keinezeit@zipmail.com.br
Madrugada
Foi uma noite longa
Doce e macia
Tu e a noite
Eu te sentia cálida
Inquieta a meu lado
E eu lutando
Contra o alarido do
coração
De cada vez que te
aproximavas
Tu, fingindo dormir
Eu, querendo sonhar
Depois,
Teus cabelos cobrindo
meu rosto
Na manhã quente que se
formava
Nossas mãos
Trêmulas na luz tênue
Vorazes no silêncio fundo
Desejei tua voz
Tua boca, tua língua
Tua força
Mergulhei no teu abraço
Respirei teu tesão
E o meu
Me descobri feliz na
euforia
Do teu cheiro na minha
pele
Horas depois
Te espero e chamo
Pra não sei quando
Mas
quero… Aretha F. keinezeit@zipmail.com.br
Áspero amor,
violeta coroada de espinhos...
Arbusto entre tantas
paixões erguidas, Lança das dores, coroa da ira.
Por quais caminhos e
como te dirigiu a minha alma?
Por que precipitaste
teu fogo doloroso,
Repentinamente, entre
as folhas frias do meu caminho?
Quem te ensinou os
passos que te levaram a mim?
Que flor, que pedra,
que fumaça mostraram minha casa?
A verdade e' que
tremeu a noite apavorante,
A aurora encheu todas
as taças com seu vinho
E o sol estabeleceu
sua presença celeste,
Enquanto o amor cruel
me cercava sem trégua,
Ate que padecendo-me
com espadas e espinhos,
Abriu meu coração um
caminho ardente. (Pablo Neruda - 100 Sonetos de Amor)
CANÇÃO PARA
_____________. colaboração de Ryta
Toquinho
Deixa eu poder te
mostrar
Deixa eu poder reclamar
Os castelos de sonhos do
lado de
lá
Desse tempo passado sem te desfrutar
As passagens secretas
que vão nos
levar
Sem sentir teu perfume, te ver, te tocar
Aos jardins mais
floridos
Sem sonhar os teus sonhos
Que existem por
lá
Nem neles estar
Deixa eu poder te
contar
Deixa eu poder mendigar
As estórias de reino de
um rei, de
lugar
As migalhas do vento
De um tesouro
esquecido
Que vem te alisar
Num canto de
mar
Se você num momento
De um amante com
medo
Sem muito pensar
Do tempo
passar
Tenha os olhos atentos
Nem outro lugar
Deixa eu poder
distrair
Quem te guarda os
segredos
Deixa eu poder blasfemar
Que eu vou
descobrir
Se qualquer dia desses
Quem te esconde as
vontades
Eu necessitar
Tentando
impedir
Se buscando saídas
Que eu te acorde os
desejos
Eu me equivocar
Que eu vou
possuir
E depois seu perdão
Eu tiver que implorar
Deixa eu poder adormecer
Sem ter medos
calados
Deixa eu querer-te, mulher
Nem nada a
esconder
Dar-te tudo o que um dia
Sem ter olhos
parados
Você desejou
Olhando sem
ver
Ter-te sempre a meu lado
Mergulhados num
mundo
Como você é
Proibido a
você
E te amar como eu sou.
Quando você sentir
vontade de chorar, não chore,
pode me chamar que eu venho
chorar por você
Quando você sentir vontade
de sorrir, me avise
que eu venho para sorrirmos
juntas
Quando você achar que esta
tudo acabado, me chame
que eu venho ajudar você a
reconstruir
Quando você precisar que
alguém lhe diga "eu te amo",
me chame que eu venho e
digo isso com sinceridade... Autor desconhecido
Deixa dizer-te os
versos raros
Que a minha boca tem a
te dizer!
São talhados em mármore
de Paros
cinzelados por mim para
te oferecer
Têm dolência de veludos
caros
Que foram feitos para te
endoidecer
Mas, meu Amor, eu não te
digo ainda
Que a boca de mulher é
sempre linda
Se dentro guarda um
verso que não fiz
Amo-te tanto E nunca te
beijei
E nesse beijo,
Amor que eu não te dei?
Guardo os versos mais
lindos que te
fiz...
Florbela Espanca
Silencio amoroso
l
Affonso Romano de Sant'tana
Deixa que eu te
ame em silencio.
Não pergunte, não se
explique, deixe
que nossas línguas se
toquem, e as bocas
e a pele falem
seus líquidos desejos.
Deixa que eu te
ame sem palavras
a não ser aquelas que
na lembrança ficarão
pulsando para sempre
como se amor e vida
fossem um discurso
de impronunciáveis
emoções...
O Ciúme
Do ciúme, se algum
lesto
pensamento
Toma com ele mais cuidado e tento
No coração da gente se
insinua
Pois qual o pó, qual o veneno e o vento
Astuto e sonso,
sorrateiro atua
Oh! Não espante que também destrua
Como a perfídia de um
veneno lento.
Que nos corroa pouco a pouco a mente
Cicia leve como a voz do
vento
Nos deixe exangue o coração descrente
A sussurrar uma cantiga
sua
A alma nos deixe desolada e nua
E como vento faz ao pó
na rua
O ciúme na alma faz ao
sentimento
Fernando PessoaPoesias Inéditas Colaboração de Ryta
O Amor
O amor, quando se
revela,
Mas quem sente muito, cala;
Não se sabe
revelar.
Quem quer dizer quanto sente
Sabe bem olhar p'ra
ela,
Fica sem alma nem fala,
Mas não lhe sabe
falar.
Fica só, inteiramente!
Quem quer dizer o que
sente
Não sabe o que há de
dizer.
Mas se isto puder contar-lhe
Fala: parece que
mente
O que não lhe ouso contar,
Cala: parece
esquecer
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a
amar!